08 de maio de 2021

Nossas Letras

Tecidos e Texturas de A a Z (Parte quatro)

“Poema-tule, normalmente feito de versos entrelaçados, parece rede transparente muito fina, porém firme e estável.”

Nossas Letras 24/04/2021
Baltazar Gonçalves
Especial para o GCN
RENDA: existem dois principais tipos de poesia criada em renda: a de agulha, que é confeccionada dando-se laçadas com o fio em pontos e resulta em desenhos mais padronizados, e a de bilros, que é formada pelo cruzamento sucessivo no entremeado dos fios sobre o pique de um cartão onde está o decalque dos desenhos, com a ajuda dos bilros que são artefatos de madeira onde os versos são desenrolados. Se existe um fio bordando o poema com certeza é renda, parece existir uma fixação nesse tipo de cobertura. Os tecidos mais comuns onde se lê poesia-renda são os de algodão e poliéster que por sua vez são bordados sobre tules e telas podendo receber, segundo a cultura local e o alcance do talento, pedrarias. A escolha do lugar no poema onde será aplicado um verso em renda pode determinar o caimento da leitura.

SEDA: fibra natural obtida a partir do metabolismo de um inseto que produz filamento de proteína contínuo, a seda é resistente e macia. Para que se obtenha a seda, antes é preciso matar o bicho que a fabrica. Matéria prima cara, pode e deve ser combinada com musseline e gazar para dar melhor caimento e interpretações variadas.

TAFETÁ: originou-se no império persa, atual Irã; o nome deriva da palavra “taftah”. Existe tafetá com ou sem elastano. A ambiguidade da poesia em tafetá arma a peça costurada e pode dar proporções épicas delirantes ao corpo vestido. O poema feito em tafetá pode ser mais leve ou mais volumoso dependendo do efeito desejado.

ESTAMPAS: há diferentes técnicas de estamparia, o uso de blocos de madeiras é o método mais antigo usado pelos antigos fenícios que habitaram o que hoje é Líbano e a Síria. As estampas estão presentes em quase todos os tipos de tecidos: do algodão à musseline, do crepe ao devorê, versos em saias dobradas em vestidos que simulem elegância.

TRICOLINE: trata-se de uma construção em tela usando finos fios de algodão mercerizado. A mercerização é o tratamento que se dá aos versos para que cheguem a essa aparência lustrosa e resistente. Roupa feita em tricoline é de fácil leitura, oferece conforto e, dizem, absorve lágrimas.

TULE: surgiu por volta 1.700 d.C. na cidade francesa Tulle e desde 1.800 é utilizado nos figurinos de ballet. Poema-tule, normalmente feito de versos entrelaçados, parece rede transparente muito fina, porém firme e estável. Os fios se entrelaçam de maneira espaçada tornando a trama mais aberta. O TULE confere volume e pode estar nas mangas de um poema ou por toda a peça sobre o corpo da leitura.

ULTRASUEDE: é um TNT luxuoso fruto de releitura. É produzido com fibras sintéticas obtidas por agulhamento. É lavável. É usado no acabamento de poesia decorativa – o tipo de arte que não incomoda.

VELUDO: qualquer poema que apresente aspecto aveludado pode ser considerado feito para leitura aveludada. Existem os lisos, os cotelês. Normalmente, o veludo é aplicado sobre trama de algodão em aconchegante, aquele tipo de texto que nos abraço, afago ou saudade. Independente do tipo de veludo lido mantenha o poema longe do ferro de passar para evitar marcas irreversíveis ou cicatrizes incuráveis.

VISCOSE: é a primeira fibra têxtil artificial criada a partir de um elemento natural, o linter é obtido da semente do algodão. A viscose pode ser usada para revestir poemas lisos ou estampados. Por ser leve é fresca ao contato da pele.

XADREZ: o xadrez é uma estampa e já existia na Idade do Ferro. Há quem diga que é invenção de proprietários de terras na Escócia e que era usado para identificar os clãs. A estampa xadrez está na composição de poemas de algodão, tafetá e chiffon. Tanto o andamento e a fluidez do texto dependerão na construção que leve ao clímax quem lê. O xadrez nunca sai de moda.

SHANTUNG: originário da província chinesa Chantung, é fabricado com fio de seda ou de poliéster e apresenta mínimas saliências como se fossem pequenos arranhões. Poema tecido em shantung é leve apesar da aparência grosseira. É bastante usado na poesia-festa para confeccionar versos de saias dobradas em vestidos que simulem elegância.

ZIBELINE: o nome é de origem francesa, esse tecido pode ser encontrado em tramas de seda ou fibras artificiais. A poesia estruturada em zibeline tem leve brilho acetinado e o ritmo da leitura tem aquele efeito que nos inspira constância. É muito comum encontrar versos em nuances de branco sobrepostos em versos de saias amplas. Também em vestido godê ou poema tubinho. A zibeline deve ser entretelada antes do corte para valorizar na emenda das metáforas o disfarce da costura.



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