08 de maio de 2021

Esporte

SONHO ESTÁ PRÓXIMO

Próximo de acerto com o Pelicans, Didi se vê preparado para a NBA; referências do basquete concordam

Após dois anos atuando pelo Sydney Kings, da Austrália, Didi Louzada, que teve um início vitorioso como profissional em Franca, está bem próximo de ser o 18° brasileiro a jogar na NBA. Anderson Varejão, Alex Garcia, Lucas Dias e Helinho acreditam no potencial do atleta.

Esporte 25/04/2021
Lucas Faleiros
da Redação
Divulgação/Sydney Kings
Didi jogou os últimos dois anos com a camisa do Sydney Kings, fazendo parte do programa Next Stars
O atleta Didi Louzada está muito próximo de se tornar o 18° brasileiro a atuar na liga norte-americana de basquete, a badalada NBA (National Basketball Association). Quase dois anos após ser a 35ª escolha do Draft de 2019 e acabar repassado ao time australiano Sydney Kings para ganhar mais rodagem, o capixaba está de volta aos Estados Unidos, passa por exames médicos e deve ter seu contrato assinado com o New Orleans Pelicans a qualquer momento.

Antes de chegar à NBA, a história de Marcos Henrique Louzada Silva passou por Franca. Passagem essa que se tornou marcante para ambos os lados. O jogador começou a praticar basquete em Cachoeiro do Itapemirim, sua cidade natal, no interior do Espírito Santo.

“Comecei jogando na LUSB (Liga Urbana Social de Basquete), onde fiquei até surgir a oportunidade de sair da cidade. Foi ali que me permitiram sonhar e acreditar que poderia me tornar jogador. Sou muito grato a todos que me ajudaram enquanto era garoto, principalmente ao Nilsinho, que, mais do que ex-técnico, é um amigo e um pai que eu nunca tive. Não me esquecerei jamais do que fizeram por mim”, conta Didi.

Com 15 anos, após chamar a atenção do treinador Jamil Costa, o atleta foi convidado para treinar nas categorias de base do Franca Basquete. Dali para frente, a carreira do jogador embalou. O ala ajudou a equipe conquistar o Campeonato Paulista depois de 11 anos, venceu a Liga Sul-Americana e fez parte da campanha do vice-campeonato do NBB.

Helinho Garcia, que o treinou desde antes de sua estreia como profissional, em 2017, até a sua partida, em 2019, se lembra bem da evolução demonstrada por Didi. “O crescimento dele em Franca foi algo incrível. Com 15, 16 anos, já observei suas características e o puxei para o profissional. Lembro que era surpreendente o desenvolvimento de jogo dele. Uma coisa exponencial. Evoluiu, desenvolveu confiança e foi muito importante nos títulos paulista, sul-americano e do vice brasileiro. Isso tudo com 18 e 19 anos ”.


Didi atuando pelo Sesi Franca (Divulgação/Sesi Franca)

O treinador conta que o jogador, além de ser muito adaptável às condições impostas nos treinamentos e partidas, é bom de grupo. “Ele tem uma característica muito bacana, que é o que os americanos chamam de coachable. É fácil de se instruir. Você passa um treinamento específico de manhã e, já durante a tarde, ele coloca em execução o que foi passado. Até por isso, ele cresceu tanto. Fora isso, é supertranquilo, muito educado e extremamente companheiro com todos. Um menino atencioso e que zela pelo bem comum”.

Didi também guarda com carinho na memória as conquistas obtidas em Franca, cidade que ele diz ser parte da sua vida e com a qual terá uma “ligação eterna”. “O Franca Basquete foi o clube que me abriu as portas para o basquete de alto nível, que ajudou na minha formação e evolução como atleta. Melhorei meus fundamentos e minha mentalidade. Aí, realizei o sonho de chegar à Seleção Brasileira. Meu carinho pelo time, pela torcida e pela cidade é enorme. Sempre me doei ao máximo e foi um privilégio viver tudo o que vivi”.

Perguntado sobre qual foi o seu momento mais marcante atuando pelo time, ele se lembra de vários, mas com um gostinho especial para as finais do sul-americano de 2018, vencidas contra os argentinos do Instituto de Córdoba. O título marcou o fim de um outro jejum: o de 27 anos sem conquistar o campeonato continental.

“Todos (os momentos) foram muito importantes. Vários foram marcantes, como as finais do Paulista, do NBB, do Super 8 e da Liga Sul-Americana, os clássicos paulistas e minha estreia no profissional. Mas, acho que o ponto mais alto da minha passagem foi a vitória que nos deu o título na Liga Sul-Americana”, se lembra.

Também jogando em Franca, Didi conheceu diversas pessoas que considera fundamentais para seu desenvolvimento como esportista. “Lucas Dias, Helinho, Hettsheimer, Elinho Corazza, David Jackson, Fernando Penna, Jamil, Niltinho... Todos foram importantíssimos para a minha carreira”.

Draft e a ida à Austrália
Depois de se destacar com a camisa do Sesi Franca, Didi Louzada se inscreveu no Draft de 2019 da NBA e se juntou a outros 59 jovens que sonhavam em atuar na maior liga de basquete do mundo. Contrariando as cotações, que o colocavam como um dos possíveis últimos escolhidos, seu nome apareceu na 35ª posição, sendo selecionado pelo Atlanta Hawks, que o trocou com o New Orleans Pelicans.

Depois de participar da Summer League com o time da Luisiana, o atleta foi enviado, como parte do programa Next Stars, ao Sydney Kings, que disputa a NBL (National Basketball League), para ganhar experiência atuando na Austrália.


Didi Louzada jogando a Summer League com a camisa do Pelicans (NBAE/Getty Images)

Foram dois anos jogando na Oceania. Lá, o jogador teve médias de 8,7 pontos, 3,2 rebotes e 1,8 assistências por jogo e se destacou como um dos melhores defensores da liga. Para ele, o período foi de total progresso.

“Aprendi muita coisa, não apenas dentro de quadra, mas fora também. Desde meu primeiro dia em Sydney, todos me abraçaram e fizeram com que me sentisse em casa. Cidade, companheiros de equipe e fãs. Convivi com jogadores experientes, como o Andrew Bogut (que foi campeão da NBA com o Golden State Warriors em 2015) no meu primeiro ano, alguém que me ajudou demais. Foi importante para mim e sou grato a todos de lá também”.

Didi conta que evoluiu em vários fundamentos e ganhou massa muscular enquanto jogava na NBL. “Disputar uma liga internacional forte me deu a oportunidade de melhorar bastante o meu jogo. Não diria que mudei minhas características, mas me aprimorei muito. Ganhei 18 quilos de massa e amadureci como homem e atleta. Hoje, sou um jogador mais pronto, mais preparado para a NBA”.

Além disso, o capixaba comenta que alcançou outro de seus objetivos, que era se aprimorar no inglês. “Estou mais confortável com a língua, falando e escrevendo bem. O pessoal da equipe era muito paciente e me auxiliava bastante, corrigindo quando eu errava alguma coisa. Mas ainda vou melhorar mais”.

Fala quem sabe
Passados os dois anos jogando pelo Sydney Kings, Didi está próximo de sentir o gostinho de estar na NBA. Isso porque o New Orleans Pelicans encaminha a sua contratação em definitivo. Caso tudo dê certo, ele vai repetir o feito de jogadores que tem como ídolos, como Anderson Varejão e Leandrinho, entre os brasileiros, e Russell Westbrook, Giannis Antetokounmpo e Kevin Durant, dos estrangeiros. Como o contrato ainda não foi oficialmente firmado, ele não comentou sobre a situação.

Didi não falou, mas alguns personagens bem conhecidos falaram. Varejão, que é uma de suas referências e, curiosamente, trilhou um caminho muito parecido com o seu – os dois são do Espírito Santo, começaram jogando profissionalmente no Franca Basquete e foram draftados depois -, vê com ótimos olhos o possível acerto com o Pelicans.

“Didi é um jogador de muitos recursos, tem excelente arremesso de todos os pontos da quadra, velocidade e boa visão de jogo. Quando saiu do Brasil, já estava se destacando em Franca, fez um grande NBB, uma ótima Summer League e, na Austrália, melhorou ainda mais. Ele tem tudo para fazer sucesso na NBA”.

O jogador, consagrado na Europa e nos Estados Unidos, tendo, inclusive, o anel de campeão da NBA por ter participado da campanha vencedora do Golden State Warriors na temporada 2016/17, considera Didi um orgulho para seu estado e rasga elogios a ele, dizendo também que fica contente ao observar sua evolução.

“Fico muito feliz em vê-lo crescendo como jogador, evoluindo a cada ano, conquistando espaços, realizando os seus sonhos, dando orgulho para a família e para os capixabas. Jogamos várias partidas juntos pela Seleção Brasileira, convivemos nos períodos de Eliminatórias, amistosos e Copa do Mundo. É um jogador de muita qualidade, rápido e inteligente, além de ser um garoto bom, humilde e trabalhador. Conversamos bastante na Seleção e torço muito por ele”, afirma.

Alex Garcia, que também tem grande rodagem na NBA e jogou, inclusive, no Pelicans (àquela época, ainda chamado New Orleans Hornets), time que Didi está próximo de integrar, também acredita no potencial do jovem jogador.

“Acho que o Didi tem grandes chances de se dar bem na NBA. Nesses dois anos que ele ficou na Austrália, ganhou uma bagagem, uma experiência a mais. O dia a dia vai dizer se ele está pronto para jogar. Pelo menos enquanto estava no Sydney Kings, ele mostrou um ótimo desempenho. É claro que o nível de lá é um pouco abaixo da NBA, mas, mesmo assim, foi super bem. Se tiver oportunidades e condições, ele vai se dar bem, sim. Eu estou apostando nisso”, diz Alex.

No Franca Basquete desde 2018, Lucas Dias viveu bons momentos ao lado de Didi. Os dois conquistaram juntos o Campeonato Paulista e a Liga Sul-Americana daquele ano. Vendo o amigo próximo de realizar um grande sonho, o ala-pivô não esconde a empolgação. “Acho que ele tem um futuro enorme na NBA. É um cara que trabalha bastante e, nos dois últimos anos, evoluiu muito. Ganhou peso, ficou mais forte e aumentou o seu ritmo de jogo. Tenho certeza que, nesse tempo que ele ficar lá (nos Estados Unidos), vai ganhar espaço, evoluir ainda mais e fazer uma boa carreira”.

Lucas também elogiou a personalidade e disse que o ex-companheiro de equipe batalha muito para alcançar suas metas. “O Didi é diferenciado. Muito esforçado, treinava bastante e se esforçava muito para realizar os seus sonhos. Além disso, é, sem dúvida, um dos melhores caras quando o assunto é grupo. Mesmo sendo novo, é muito maduro, alguém muito bom de se conversar, super do bem e brincalhão. A NBA e a Seleção Brasileira sempre foram os objetivos dele. Falava que era seu sonho jogar nos Estados Unidos e que iria lutar muito para chegar lá e dar uma vida melhor para sua família”.

Helinho, que treinou Didi em seus anos no Franca Basquete, também bota fé nele e aposta no seu sucesso. “Acredito muito no potencial do Didi, na força física e na força mental que ele tem. Vem ganhando a cada dia mais repertório, tanto físico quanto técnico, e, por isso, creio que pode ter uma carreira de muito sucesso na NBA”.

Quer mais
Aos 21 anos de idade, Didi está muito próximo de chegar aonde qualquer jogador de basquete quer estar: as quadras da NBA. Perguntado se já se enxerga como um vitorioso, ele confirma, mas também diz querer mais.

“Estou buscando o meu espaço, trabalhando duro todos os dias, sem passar por cima de ninguém. Ainda quero realizar muitos sonhos e estou focado nisso. Todos os dias, eu vou em busca de evolução, de melhorar sempre. Com certeza me vejo como um vencedor pela minha trajetória e dificuldades que já enfrentei, mas ainda tenho muito o que conquistar pela frente”, conta.

Em meio a toda insanidade que é ser um jogador de alto nível no profissional, Didi ainda encontra tempo para ser Marcos Henrique Louzada Silva e conta o que curte fazer fora das quadras. “Gosto de jogar videogame, de sair para comer com os meus amigos, de ouvir música, assistir filmes... e, sempre que estou com a minha família, quero aproveitar o tempo ao lado deles”.



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