30 de julho de 2021

Franca

ESCUTA ATIVA

Canal de apoio para vítimas de violência doméstica já atendeu mais de 100 mulheres

Criado pelo promotor de Justiça Cláudio Escavassini e pela advogada Carol Escavassini, o Escuta Ativa apoia e orienta mulheres e crianças através do WhatsApp.

Franca 10/06/2021

da Redação
Divulgação
Carol Escavassini e Cláudio Escavassini, idealizadores do Projeto Escuta Ativa
Criado para apoiar crianças e mulheres vítimas de violência doméstica, o projeto Escuta Ativa já atendeu mais de 100 pessoas de Franca e região, através do WhatsApp. A iniciativa, criada em 18 de fevereiro deste ano pelo promotor de Justiça Cláudio Escavassini e pela advogada Carol Escavassini, surgiu a partir do momento que ambos verificaram os índices crescentes de violência. Sabendo das dificuldades que as mulheres têm para acessar suportes através de aparelhos do Estado, resolveram criar o projeto.

São duas linhas de trabalho. A primeira é o atendimento à mulher, para que a vítima chegue aos órgãos de proteção em busca de apoio. E até mesmo, se for o caso, auxiliar no registo de boletim de ocorrência ou encaminhamento para assistência social e terapia. Também é feito um trabalho para a capacitação dos profissionais que atuam no enfrentamento à violência.

“Porque nós percebemos que falta preparo para quem trabalha nessa área. A lei Maria da Penha traz que é direito da mulher ter um atendimento especializado, que aquela pessoa que está atendendo tenha conhecimento mínimo sobre as questões de gênero, sobre o que é vivenciar as técnicas sobre a violência doméstica”, explica Carol.

Apenas fazer o boletim de ocorrência não é o suficiente em alguns casos, muitas vítimas precisam de um atendimento psicológico, por ter uma dependência do agressor, o que faz com que permaneçam no relacionamento abusivo.

O fator do isolamento social, segundo os idealizadores do programa, colaborou para que os números de violência aumentassem. Eles citam como fatores que contribuem para a violência doméstica o alcoolismo, drogas, impactos econômicos na família, desemprego do agressor e o isolamento social. "O autor, muitas vezes, usa do mecanismo de isolar a vítima da família para que ela não busque ajuda. E, com o isolamento em razão da pandemia, a mulher não sabe se pode buscar pelos órgãos de ajuda."

Os dados da Rede de Observatório da Segurança, de 2020, mostraram que em 58% dos casos de feminicídios e em 66% dos casos de agressão, os criminosos eram companheiros ou possuíam algum relacionamento afetivo com a vítima.

O promotor Cláudio Escavassini destaca a importância de levar informações básicas para que a vítima tenha conhecimento e compreenda quais são seus direitos e quais são as violências praticadas contra ela. "Muitas vezes, elas são desestimuladas, não só dentro de casa, pela família, mas também pelo próprio aparelho do Estado, que não tem essa especialização em atender, acolher e saber dar apoio a essas mulheres e dar suporte para que ela possa tomar sua decisão.”

Ele diz que um dos casos mais marcantes para os dois é de uma vítima que sequer tinha meio para entrar em contato com o projeto. “Quando nós criamos a Escuta Ativa, nós imaginávamos que todo mundo tivesse acesso à internet, o que não é verdade, existem muitas mulheres hoje que se encontram na invisibilidade, elas não são vistas, ou o Estado não consegue chegar até elas, muitas vezes estão passando necessidades, e muitas delas não têm acesso à tecnologia.”

O caso veio encaminhado pela Patrulha Maria da Penha, que é formada pela Polícia Militar. A vítima, uma mulher negra, sofria violências e foi abandonada pelo marido com crianças.

“A gente sabe que o recorte racial é importante quando se trata de violência contra a mulher, porque a mulher negra ainda se mostra muito invisível e a gente percebe que os números são baixos, tanto nas medidas protetivas que chegam ao Judiciário, quanto nos registos de boletim de ocorrência. Por outro lado, sabemos que a mulher negra é a que mais sofre violência doméstica, mas são as que menos procuram a Justiça”, disse a advogada.

Hoje ela é atendida pela assistência social e programas de apoio. Mas ainda encontra dificuldades, precisa de emprego. Ela está em fase de fortalecimento terapêutico e emocional.

Além do canal de comunicação pelo WhatsApp, no Instagram do Escuta Ativa são divulgadas informações e palestras, com o intuito de levar informação à população, além de campanhas de doação.

Para contato com o Instituto Escuta Ativa pelo Instagram, o perfil é o @institutoescutaativa. O número do WhatsApp é (16) 99184-4403.



COMENTÁRIOS

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  • Juju
    11/06/2021
    Mulheres precisam aprender a criar coragem pra se defenderem ao invés de ficarem só dependendo dos outros, sendo que muitas dessas \"proteções\" de foram falham miseravelmente. Querem tanto a imagem de fortes, querem mais representação no mundo da ficção com aquelas personagens corajosas etc, mas ficam esperando ajuda, não reagem, não fazem nada. O agressor é muito mais forte, mas é pra isso que existem armas, como as vendas, pra equilibrar as coisas. Teve até um caso de uma mulher que usou o carro pra passar em cima do marido (que morreu). Pra defender a sua vida faça o que for preciso, é a lei da selva de pedra.
  • Claudio Escavassini
    11/06/2021 1 Curtiu
    Agradecemos muito o GCN por divulgar o Escuta Ativa, pois levará informação do serviço mais longe e para quem precisa.
  • Yuri Borges de Mendonça
    11/06/2021 1 Curtiu
    Parabéns aos idealizadores do projeto, que ajuda a suprir uma lacuna há muito existente na cidade, para a efetiva proteção da mulher!
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