29 de novembro de 2021

Opinião

OPINIÃO

O desafio da amplitude

A retomada das manifestações foi vista como uma necessidade diante do descontrole da pandemia no país e da insistência do presidente em manter suas posições.

Opinião 17/07/2021
Guilherme Cortez
especial para o GCN
Nas últimas semanas, Franca foi palco de duas manifestações de rua contra o governo federal e pelo impeachment do presidente Bolsonaro. Uma terceira está marcada para o próximo sábado, a partir das 10h, com concentração em frente ao Parque Fernando Costa. Esses atos atenderam ao chamado de mobilizações em todo o país e foram organizados localmente por uma frente que reúne partidos de esquerda, coletivos e entidades da cidade.

A ida às ruas nesse momento, em que a transmissão do coronavírus ainda não está sob controle, pode parecer uma contradição. Afinal, os movimentos que pedem a saída de Bolsonaro são críticos à sua postura em relação à pandemia desde o começo. Ao invés de incentivar o cumprimento das medidas de saúde, como o uso de máscaras e a manutenção do distanciamento social, o presidente se notabilizou internacionalmente por promover aglomerações, estimular o desrespeito às orientações sanitárias e até boicotar a compra de vacinas.

No entanto, a retomada das manifestações – com obrigatoriedade do uso de máscaras, disponibilização de álcool em gel e distanciamento entre as pessoas – foi vista como uma necessidade diante do descontrole da pandemia no país e da insistência do presidente em manter suas posições. O cálculo feito foi o de que, sem pressão popular, Bolsonaro seguiria à vontade para retardar a superação da crise sanitária e ameaçar as instituições democráticas do país, como ao cogitar a possibilidade de não haver eleições no ano que vem.

Segundo pesquisa do Datafolha, pela primeira vez a maioria da população do país apoia o impeachment de Bolsonaro. De acordo com o instituto, 54% dos brasileiros são favoráveis à abertura do processo pela Câmara dos Deputados, enquanto 42% se dizem contrários.

Apesar disso, o presidente da Câmara, Arthur Lira, não mostra indícios de que pretenda usar sua caneta para dar andamento a um dos mais de 100 pedidos de impeachment que aguardam na sua gaveta. Aliás, rever esse sistema é tarefa para uma reforma política no país: um presidente da Câmara não pode decidir sozinho se uma acusação de crime de responsabilidade cometido pela autoridade maior da República deve ser analisada ou não! Isso deixa governantes e a população inteira reféns de uma única pessoa. Lembremos que se hoje Arthur Lira não tem pressa para dar andamento a um pedido de impeachment contra Bolsonaro, o processo que afastou a ex-presidente Dilma Rousseff teve início após o então presidente da Câmara Eduardo Cunha romper relações com o governo.

Em Franca e em várias cidades do Brasil, as manifestações têm marcado posição contra o governo. Se antes as ruas eram ocupadas apenas pelos apoiadores do presidente, criando uma falsa impressão de hegemonia, agora elas abrem espaço para o contraponto.

Mas o desafio desses atos é ampliar mais e romper a bolha daqueles que fazem oposição à Bolsonaro desde sua campanha eleitoral. Incorporar mais setores, categorias profissionais, movimentos e entidades civis. Todas as pessoas que prezam pela democracia e querem interromper a catástrofe sanitária em curso no país devem ser chamadas e acolhidas nesse momento. Isso não significa pensar em projetos políticos ou eleitorais comuns, mas uma responsabilidade diante do momento mais grave da história recente do país.

É preciso cobrar, inclusive, as lideranças da nossa região. O prefeito Alexandre Ferreira e sua adversária no 2º turno das eleições Flávia Lancha são favoráveis ou contrários ao atual governo e à abertura de um eventual processo de impeachment? E os 15 vereadores da Câmara? Apoiam ou reprovam a condução da pandemia pelo governo? Concordam ou discordam das posições do presidente sobre as eleições e a democracia no país? Não é momento para ficar em cima do muro.

A pandemia levou a vida de mais de 850 pessoas só em Franca. Por trás desses números estão pais, mães, avós, filhos, maridos, amigos, namoradas e pessoas que eram queridas por outras. É justo perguntar quantas dessas vidas poderiam ter sido poupadas se a postura do governo fosse outra. Se tivesse incentivado as medidas sanitárias e comprado vacina ao invés de fazer o contrário.

Daqui a alguns anos, quando nos perguntarem o que fizemos durante esse momento, o que diremos?



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