17 de janeiro de 2022

Culinária

RECEITA FÁCIL

Pãozinho de inhame

Inhame, tubérculo cujas qualidades costumam ser destacadas pelos nutricionistas, embora desde sempre ele tenha sido consumido no campo como alimento de restauro e depuração. Geralmente cozido ou assado com algum tempero, aqui ele entra numa receita de pão fofinho, sabor delicado, ótimo para um lanche, quer dizer, merenda.

Culinária 14/08/2021
Sonia Machiavelli
da Redação
Dirceu Garcia/GCN
Pãozinho de inhame
Ingredientes

  • 1/2 xícara de polvilho doce
  • 1/2 xícara de polvilho azedo
  • 1/2  xícara de queijo (meia cura) ralado
  • Sal a gosto
  • 3 colheres (sopa) de óleo
  • 3 colheres (sopa) de água, se necessário
  • 4 inhames pequenos (400 gramas)

Nas padarias brasileiras, por mais modestas que sejam, encontramos variedade de pães, roscas, bolos, bolachas e biscoitos produzidos por bons profissionais. Entretanto, às vezes nosso paladar pede algo diferente, como uma quitanda doméstica. Palavra herdada do léxico africano, onde quer dizer “venda, feira’, quitanda mantém-se no nosso falar interiorano, especialmente no mineiro. Em Minas, faz morada desde o período colonial, junto a outra, merenda, essa do latim vulgar, embora não pareça. Merenda se origina de “merere”,  cujo sentido é  “merecer”. Para comer alguma coisa, todos tinham que fazer jus a ela, o que evoca um ditado dos romanos: “quem não trabalha, que não coma”. 

Ambas abrem o apetite só de serem pronunciadas, porque levantam a cortina da curiosidade para descobrir sob que forma virá o alimento. Podem ser biscoitos de polvilho azedo ou doce, sequinhos, crocantes. Brevidades, sequilhos, rosquinhas. Bolo de fubá saído de forma redonda de buraco. Ou bolo de cenoura com cobertura de chocolate, cortado em quadrados. Bolinhos de chuva, dourados que só, passados em açúcar refinado e canela. Bolo de banana, como o dos americanos. Quitandas também podem ser uma daquelas iguarias que vão além da merenda, seguem conosco pelo resto da vida e, não raro, podem nos salvar de certos estados de melancolia.

A minha quitanda, nesse contexto emocional, é um doce de pão que minha mãe fazia e nunca consegui reproduzir da mesma forma. A receita era para aproveitar pão amanhecido e levava ovos, leite, canela. Ela preparava uma calda grossinha, colocava os pedaços de pão, regava com leite, arrematava com dois ovos batidos. Nunca mais de dois. De vez em quando me pego perguntando se ovos seriam tão caros naquela época ou se éramos demasiado pobres para gastar mais de dois numa receita…Talvez as duas razões. Então, quando estou triste e é noite, vou à cozinha e tento fazer este doce, que funciona como raiozinho de sol para minhas penumbras...

Desdobrando essa conversa, andei procurando receita fácil, econômica e bem brasileira de uma quitanda de minha infância que andou um pouco ausente da nossa mesa. Encontrei o que buscava com uma mineira, dona Penha, que me resgatou o pãozinho de inhame, tubérculo cujas qualidades costumam ser destacadas pelos nutricionistas, embora desde sempre ele tenha sido consumido no campo como alimento de restauro e depuração. Geralmente cozido ou assado com algum tempero, aqui ele entra numa receita de pão fofinho, sabor delicado, ótimo para um lanche, quer dizer, merenda. 

Para o preparo, que é fácil, primeiro devemos lavar muito bem o inhame, de preferência com uma escovinha, pois ele é um tubérculo e, como todos do gênero, precisa de perfeita higiene para a retirada de qualquer sinal de terra que reste.  Depois é descascar e cortar em quatro ou seis, dependendo do tamanho.  Em seguida, cozinhar em água por vinte minutos, até que os pedaços estejam bem macios. A próxima etapa é escorrer a água e enquanto os pedaços ainda estão quentes passar por espremedor, a fim de obter um purê fino. Reserve. Ligue o forno a 180° para que esteja bem quente quando colocar os pãezinhos para assar. Numa tigela reúna polvilho doce e polvilho azedo e mexa para misturar bem. Tempere com o sal, volte a mexer. Junte o azeite  e o purê. Misture primeiro com colher e depois com a mão. Se estiver muito seca, junte a água. Agregue o queijo ralado e continue sovando até a massa soltar dos dedos. Nesse momento é hora de moldar as bolinhas, que ficam bem com quatro/cinco cm de diâmetro. Transfira-as para uma assadeira grande, com algum espaço entre elas, pois vão crescer. Asse por trinta minutos, até dourar, mas não muito. Sirva a seguir, porque esse pãozinho quente é bom demais. 

Essa receita pode ser congelada. Basta dispor as bolinhas numa assadeira, levar ao freezer, e quando estiverem bem firmes, retire-as e acomode em saco plástico. Para assar, basta levar os pães direto do congelador ao forno. Eles ficam perfeitos por três meses. 



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