22 de outubro de 2021

Opinião

RELIGIÃO

'Os últimos são valiosos'

A leitura de hoje nos relata o que “os ímpios decidem fazer”. Armemos ciladas contra o justo... provemo-lo por ultrajes e torturas... condenemo-lo a uma morte infame. Essas palavras são dirigidas contra os israelitas que viviam na cidade de Alexandria do Egito, mas todos nós percebemos facilmente que as mesmas correspondem a tudo o que aconteceu com Jesus.

Opinião 19/09/2021
Mons. José Geraldo Segantin
especial para o GCN
A Palavra de Deus vem nos ensinar que os valores da humanidade nem sempre coincidem com os valores divinos.

Primeira Leitura: Sabedoria 2.

A leitura de hoje nos relata o que “os ímpios decidem fazer”. Armemos ciladas contra o justo... provemo-lo por ultrajes e torturas... condenemo-lo a uma morte infame.

Essas palavras são dirigidas contra os israelitas que viviam na cidade de Alexandria do Egito, mas todos nós percebemos facilmente que as mesmas correspondem a tudo o que aconteceu com Jesus. Ele foi perseguido por seus próprios irmãos de fé, não porque fosse mau, mas porque era justo, porque conduzia uma vida exemplar, porque denunciava as injustiças e anunciava uma mensagem desafiadora que incomodava os detentores do poder.

O que aconteceu com os israelitas fiéis, dos quais nos fala o Livro da Sabedoria, e com o próprio Jesus, sempre se repete com os fiéis autênticos. A perseguição deve ser considerada como um fato “normal” para os justos.


Segunda Leitura: Tiago 3.
O trecho de hoje começa com a confrontação entre os instintos desregrados do homem (o ciúme e a contenda), dos quais procede toda a maldade, e a “sabedoria que vem do alto. Continua em seguida, apresentando as características da “sabedoria de Deus”. Esta se manifesta onde há compreensão, bondade, misericórdia, paz, generosidade, onde hão há inveja nem hipocrisia.

Só os que se deixam guiar por esta “sabedoria” se tornam construtores da paz.

Na segunda parte da leitura são examinados as causas das discórdias que existem entre os homens e também nas comunidades cristãs.

São denunciadas em primeiro lugar a ganância de acumular bens materiais e, como conseqüência, a inveja em relação àqueles que conseguiram possuir mais do que os outros. As guerras, as lutas, as contendas existem porque os homens são egoístas, porque procuram dominar sobre os outros em vez de colaborar, buscam os primeiros lugares, não os últimos, como Jesus aconselhou.

Evangelho: Marcos 9.
Vimos no domingo passado que, ao contrário da multidão que considerava Cristo somente um grande personagem, os Apóstolos, num determinado momento, reconheceram nele o Filho de Deus.

Jesus estava a caminho de Jerusalém, para dar a sua própria vida. Percebendo esta incompreensão, ele “tinha começado a explicar-lhes”, desde o começo, a sua verdadeira identidade.

O trecho de hoje começa apresentando-nos  o segundo desses anúncios e é acompanhado por uma observação do evangelista: os discípulos “não entendiam estas palavras e tinham medo de pedir-lhe explicações.

Esse receio dos Apóstolos representa a perplexidade que inevitavelmente toma conta de qualquer um que queira defrontar-se lealmente com Cristo e com o seu evangelho.

Quando ele revela a sua face de “servo” que dá a sua vida e acrescenta a exigência de seguir seus passos, não é possível não sentir medo.

É necessária muita coragem para olhá-lo de frente, para fazer-lhe perguntas e para ouvi-lo, para entender perfeitamente quem é ele e o que exige.

Na segunda parte do trecho encontramos as conseqüências da falta de coragem na busca da verdade: os Apóstolos não entenderam as palavras do Mestre e continuam se preocupando com os seus problemas mesquinhos e ridículos: “quem entre nós será o primeiro?”

Na comunidade cristã quem ocupa o primeiro lugar deve abandonar qualquer sonho de grandeza.

Na terceira parte do trecho narra-se um gesto permeado de significado. Jesus toma um menino, coloca-o no meio de todos, abraça-o e diz: “Quem acolhe um destes pequenos em meu nome, a mim acolhe”.        

Nesse texto as crianças são consideradas como um modelo a ser imitado. É preciso tornar-se como elas para poder entrar no Reino de Deus.

Mons. José Geraldo Segantin é pároco da Paróquia Santo Antônio



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