17 de janeiro de 2022

Opinião

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Os olhos do mundo em Glasgow

A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, conhecida como COP26, começou na segunda-feira (1º) na cidade escocesa de Glasgow, reunindo líderes e representantes de quase todos os países do mundo. Na pauta: medidas para evitar o agravamento das mudanças climáticas e assegurar o futuro da vida no planeta Terra. Leia mais do artigo de Guilherme Cortez

Opinião 06/11/2021
Guilherme Cortez
especial para o GCN
A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, conhecida como COP26, começou na segunda-feira (1º) na cidade escocesa de Glasgow, reunindo líderes e representantes de quase todos os países do mundo. Na pauta: medidas para evitar o agravamento das mudanças climáticas e assegurar o futuro da vida no planeta Terra.

 

Segundo o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a temperatura média da Terra está entre 1,1 e 1,2ºC acima dos níveis pré-industriais. Pode parecer pouco, mas cada grau que o planeta fica mais quente representa uma série de consequências e catástrofes ambientais no mundo inteiro – inundações, secas, queimadas, ondas de calor e epidemias.

 

Pesquisadores do clima apontam que um aquecimento acima de 1,5ºC seria fatal para o futuro da vida no mundo e não temos muito tempo para evita-lo. Se medidas emergenciais não forem tomadas nessa década, será praticamente impossível reverter o estrago.

 

A Groelândia, que é uma grande massa de gelo localizada no Círculo Polar Ártico e com uma população menor do que a de Franca, por exemplo, está derretendo. Projeções apontam que esse derretimento pode causar o aumento dos níveis dos mares de até 23 centímetros em 2100. Mais uma vez, um número aparentemente inofensivo, mas que representaria a inundação de boa parte das praias, ilhas e regiões costeiras que conhecemos hoje, como a cidade do Recife.

 

Não à toa, a capital pernambucana foi o primeiro município brasileiro a decretar estado de emergência climática, como forma de reconhecer a gravidade do aquecimento global e se comprometer a enfrenta-lo.

 

A principal causa das mudanças climáticas atualmente é a emissão de gases poluentes que provocam o efeito estufa – um fenômeno físico que impede que o calor emitido pela superfície da Terra se dissipe pelo espaço, ficando aprisionado na atmosfera e esquentando o planeta (exatamente como uma estufa).

 

O gás carbônico, largamente emitido na produção de combustíveis fósseis como o carvão mineral e o petróleo, é o principal gás responsável por esse processo. Também não é por outro motivo que o aquecimento global está intimamente ligado à produção de energia através de fontes não renováveis e poluentes.

 

Hoje, petróleo, carvão e gás natural correspondem a mais de 85% da matriz energética do mundo. Os maiores emissores de gases poluentes são os países mais ricos e desenvolvidos. Segundo um estudo de 2019, seriam necessários três planetas para atender a população da Terra caso todo o mundo resolvesse seguir os padrões europeus de consumo.

 

Contraditoriamente, são os países mais pobres e em desenvolvimento os principais atingidos pelas consequências do aquecimento global, como os ciclones que constantemente atingem a África, a Ásia e a América Central.

 

No Brasil, a emissão de gases de efeito estufa está menos associada à produção de combustíveis e mais às queimadas dos nossos biomas, que atingiram níveis recordes durante o governo Bolsonaro. A Amazônia, o Cerrado, o Pantanal e a Caatinga têm sido duramente afetados pelas queimadas e pelo desmatamento nos últimos anos, quebrando recordes atrás de recordes de devastação.

 

O presidente do Brasil se tornou uma espécie de persona non grata mundialmente em matéria ambiental. Na reunião do G20 na semana passada, não teve nenhuma agenda importante e ficou isolado dos principais líderes do mundo. Agora, nem se deu o trabalho de ir à COP, considerada o mais importante evento diplomático de 2021.

 

As florestas, como a Amazônia, têm a capacidade de absorver o carbono da atmosfera, evitando o efeito estufa e, consequentemente, as mudanças climáticas. Porém, com nossos biomas sendo consumidos pelo desmatamento e pelas queimadas, contribuímos para o aquecimento do mundo inteiro e para a intensificação da crise ambiental no nosso próprio país.

 

Aqui em Franca, começamos a sentir os efeitos das mudanças climáticas com mais intensidade nesse semestre, quando nossa região foi palco de uma onda de crises ambientais – falta d’água, grandes queimadas e tempestades de terra. O aquecimento global, que antes nos fazia imaginar ursos polares boiando em cima de calotas de gelo derretendo em algum lugar longínquo, agora tem a cara dos grandes incêndios que cobrem o céu com fumaça, da torneira seca por causa do racionamento de água e das cortinas de poeira que engolem cidades inteiras.

 

Não é a primeira vez que líderes do mundo todo se reúnem para discutir o combate às mudanças climáticas. Na maioria das vezes, não resultou nada além de blá-blá-blá e cartas de intenções. O crescente movimento social que pressiona os governos a puxarem o freio de emergência e impedirem a catástrofe climática, protagonizado pela juventude, é a esperança de algo efetivo.

 

Zerar as emissões de carbono é uma necessidade para garantir a sobrevivência da espécie humana como a conhecemos. Isso desagrada, é claro, às grandes petrolíferas e indústrias termelétricas. Mas a economia precisa estar a serviço da humanidade e não da sua extinção.



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