RECEITAS DA SONIA

RECEITAS DA SONIA

Braço cigano

Braço cigano

Por conta de uma receita de pão chamado “Braço cigano”, fui levada a lembranças da infância. Não sei se faz parte da culinária cigana.

Por conta de uma receita de pão chamado “Braço cigano”, fui levada a lembranças da infância. Não sei se faz parte da culinária cigana.

Por Sonia Machiavelli | 20/11/2021 | Tempo de leitura: 3 min
especial para GCN

Por Sonia Machiavelli
especial para GCN

20/11/2021 - Tempo de leitura: 3 min

Massa:

  • 1 pacote de fermento biológico seco
  • 1 colher de chá de açúcar
  • 220 ml de leite morno
  • 2 colheres (pequena café) de sal
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 400 grama de farinha de trigo
  • 1 gema batida com manteiga para pincelar

Recheio:

  • 200 g de presunto
  • 200 gramas de muçarela
  • 1 tomate picado
  • Orégano a gosto
  • Tomilho a gosto

Em minha memória reencontro numa gavetinha antiga grupo de ciganos chegando a grande terreno vizinho à área de eucaliptos,  proximidades de onde eu morava, no bairro Cidade Nova. Via com espanto aquela gente de roupas coloridas, adultos e crianças, homens e mulheres, todos falando uma língua não-entendível, enquanto se movimentavam armando barracas, estendendo no chão muitas cobertas, dependurando sua tralha em varais bailando entre árvores. Para uma criança aquela cena era fantástica.

Depois os homens saíam com tachos e outros objetos de cobre, enquanto as mulheres circulavam oferecendo-se para ler a sorte nas linhas das mãos das pessoas. Os tachos, de todos os tamanhos, eram disputados, pois doce de figo, de cidra e de leite só ficavam bons quando feitos neles. Quanto à sorte, era uma tentação conhecer o que o destino nos reservava. E as ciganas não cobravam em espécie; negociavam na base do escambo: por qualquer bichinho de porcelana ou buquê de flor de papel liam a nossa sorte, conferiam esperança ao nosso cotidiano.

Era uma festa para mim e todas as crianças da vizinhança que escapavam das mães e iam ver o que faziam os ciganos no acampamento improvisado. Víamos a comida cheirosa sendo preparada no chão, em fogareiro de pedra. Os meninos brincando à moda deles. As meninas com bonecas estranhas. E as mãos e braços adultos pintados. Não sabíamos naquela época o sentido da palavra tatuagem. E com tristeza víamos os ciganos irem embora depois de alguns poucos dias. Eram nômades, eu aprenderia depois. Não se fixavam em nenhum lugar. Vagavam pelo mundo.

Por conta de uma receita de pão chamado “Braço cigano”, fui levada a essas lembranças. Não sei se faz parte da culinária cigana. Pode ser que sim, pois ela abriga muitos tipos de pães recheados com frutas secas, queijos e embutidos. Mas acredito mais é que seja criação brasileira, nomeada a partir da sugestão dos braços tatuados dos ciganos. A propósito, o povo dessa etnia cuja origem se encontra na Índia, continua escolhendo o Brasil como lugar de passagem. Em média, 800 mil ciganos transitam pelo nosso país, população semelhante à que circula pela Espanha e só menor que a dos EUA - 1 milhão.

Em muitos lugares de São Paulo e Minas o “Braço Cigano” também é conhecido como “Pão Recheado.” É ótimo para lanche e até para um jantar rápido, se a ele reunimos uma salada verde. Comece dissolvendo o fermento no açúcar. Acrescente os demais ingredientes (açúcar, leite morno, sal e margarina). Acrescente a farinha de trigo aos poucos, mexendo com as mãos e depois sovando até a massa desgrudar das mãos. Forme uma bola e deixe descansar por trinta minutos. Divida a massa ao meio (como duas laranjas). Abra uma delas em formato de retângulo (30x20) e coloque camadas de muçarela, presunto, tomate picado, orégano e tomilho. Enrole como um rocambole, a partir da parte mais larga. Faça o mesmo com a outra metade da massa. Coloque em assadeira untada e polvilhada com farinha. Deixe descansar em lugar sem ventilação e seco, tipo forno desligado, por vinte minutos. Pincele a gema batida com manteiga e leve ao forno por meia hora ou até começar a dourar.

Ao partir as fatias desse pão, você entenderá o nome dele.

Massa:

  • 1 pacote de fermento biológico seco
  • 1 colher de chá de açúcar
  • 220 ml de leite morno
  • 2 colheres (pequena café) de sal
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 400 grama de farinha de trigo
  • 1 gema batida com manteiga para pincelar

Recheio:

  • 200 g de presunto
  • 200 gramas de muçarela
  • 1 tomate picado
  • Orégano a gosto
  • Tomilho a gosto

Em minha memória reencontro numa gavetinha antiga grupo de ciganos chegando a grande terreno vizinho à área de eucaliptos,  proximidades de onde eu morava, no bairro Cidade Nova. Via com espanto aquela gente de roupas coloridas, adultos e crianças, homens e mulheres, todos falando uma língua não-entendível, enquanto se movimentavam armando barracas, estendendo no chão muitas cobertas, dependurando sua tralha em varais bailando entre árvores. Para uma criança aquela cena era fantástica.

Depois os homens saíam com tachos e outros objetos de cobre, enquanto as mulheres circulavam oferecendo-se para ler a sorte nas linhas das mãos das pessoas. Os tachos, de todos os tamanhos, eram disputados, pois doce de figo, de cidra e de leite só ficavam bons quando feitos neles. Quanto à sorte, era uma tentação conhecer o que o destino nos reservava. E as ciganas não cobravam em espécie; negociavam na base do escambo: por qualquer bichinho de porcelana ou buquê de flor de papel liam a nossa sorte, conferiam esperança ao nosso cotidiano.

Era uma festa para mim e todas as crianças da vizinhança que escapavam das mães e iam ver o que faziam os ciganos no acampamento improvisado. Víamos a comida cheirosa sendo preparada no chão, em fogareiro de pedra. Os meninos brincando à moda deles. As meninas com bonecas estranhas. E as mãos e braços adultos pintados. Não sabíamos naquela época o sentido da palavra tatuagem. E com tristeza víamos os ciganos irem embora depois de alguns poucos dias. Eram nômades, eu aprenderia depois. Não se fixavam em nenhum lugar. Vagavam pelo mundo.

Por conta de uma receita de pão chamado “Braço cigano”, fui levada a essas lembranças. Não sei se faz parte da culinária cigana. Pode ser que sim, pois ela abriga muitos tipos de pães recheados com frutas secas, queijos e embutidos. Mas acredito mais é que seja criação brasileira, nomeada a partir da sugestão dos braços tatuados dos ciganos. A propósito, o povo dessa etnia cuja origem se encontra na Índia, continua escolhendo o Brasil como lugar de passagem. Em média, 800 mil ciganos transitam pelo nosso país, população semelhante à que circula pela Espanha e só menor que a dos EUA - 1 milhão.

Em muitos lugares de São Paulo e Minas o “Braço Cigano” também é conhecido como “Pão Recheado.” É ótimo para lanche e até para um jantar rápido, se a ele reunimos uma salada verde. Comece dissolvendo o fermento no açúcar. Acrescente os demais ingredientes (açúcar, leite morno, sal e margarina). Acrescente a farinha de trigo aos poucos, mexendo com as mãos e depois sovando até a massa desgrudar das mãos. Forme uma bola e deixe descansar por trinta minutos. Divida a massa ao meio (como duas laranjas). Abra uma delas em formato de retângulo (30x20) e coloque camadas de muçarela, presunto, tomate picado, orégano e tomilho. Enrole como um rocambole, a partir da parte mais larga. Faça o mesmo com a outra metade da massa. Coloque em assadeira untada e polvilhada com farinha. Deixe descansar em lugar sem ventilação e seco, tipo forno desligado, por vinte minutos. Pincele a gema batida com manteiga e leve ao forno por meia hora ou até começar a dourar.

Ao partir as fatias desse pão, você entenderá o nome dele.

COMENTÁRIOS

A responsabilidade pelos comentários é exclusiva dos respectivos autores. Por isso, os leitores e usuários desse canal encontram-se sujeitos às condições de uso do portal de internet do Portal GCN e se comprometem a respeitar o Código de Conduta On-line do GCN.

Ainda não é assinante?

Clique aqui para fazer a assinatura e liberar os comentários no site.