20 de janeiro de 2022

Franca

CARA NOVA

Franca se torna cada vez mais cosmopolita, vanguardista e empreendedora

Aos 197 anos, a apenas três anos de seu bicentenário, a cidade esbanja diversificação econômica e avança de mãos dadas com a tecnologia; cidade está entre as 30 mais empreendedoras do Brasil e atrai investimentos de vários setores.

Franca 28/11/2021
Melissa Toledo
Da Redação
Dirceu Garcia/GCN
Negócios digitais estão em expansão e em Franca há empresas especializadas em soluções para integração em marketplaces
Capital do Basquete, Terra das Três Colinas, Franca do Imperador e, claro, Capital do Calçado Masculino. Todas essas são referências pelas quais a quase bicentenária Franca foi citada ao longo do tempo. Aos 197 anos, completados neste domingo, 28, a cidade ainda faz jus à maioria dos títulos informais. Um, no entanto, se não gera dúvida, pede ao menos reflexão. “Capital do Calçado” seria ainda uma característica tão inerente a Franca a ponto de descrevê-la economicamente?

É natural que quando a gangorra econômica perde peso em um polo de renda como o mercado calçadista, outros segmentos com negócios mais lucrativos são alavancados. Nesta conjuntura, Franca viu segmentos como o têxtil (com destaque para as lingeries), de alimentos, de medicamentos, de cosméticos, de construção civil e da agricultura ganharem corpo e espaço, fomentando a diversificação econômica.

Empresário de uma das tantas empresas que são diferentes das diretamente ligadas aos calçados, mas percebem de perto, no caixa do balcão, as oscilações das ondas do setor calçadista, Fabrício Pedroza, diretor comercial da rede Drogafarma, diz ser perceptível que Franca aprendeu progressivamente a ter outras alternativas em sua economia.

“Como nós temos parcerias (convênios), temos conhecimento sobre vários setores e fomos entendendo os outros nichos que foram chegando”, disse, citando empresas de alimentação, roupas, pequenas lanchonetes e muitos salões de beleza.

“A cidade que depende de um setor sofre muito quando tem alguma crise nele, que é o que vimos nos últimos 20 anos: Franca sofrendo sempre que o sapato tinha uma queda. Do tamanho que se tornou Franca, precisa haver diversificação sim”, disse, em opinião corroborada com o presidente do Sindifranca, que diz haver potencial para a cidade crescer em outros segmentos, juntamente com o calçado.

“A diversificação da indústria francana é salutar em todos os sentidos, econômico, financeiro e na empregabilidade. Porém, são necessários esforços na recuperação da nossa indústria calçadista, de volta aos patamares de 2013 e 1993 com as exportações”, afirmou.

NOVO CENÁRIO DIGITAL E EMPREENDEDORISMO

A chegada do século 21 conectado com a tecnologia e sua capacidade de revolucionar todos os possíveis e inimagináveis setores acelerou de forma ainda mais enérgica as transformações no cenário econômico de Franca.

Para Guilherme Artiles, especialista em plataforma de e-commerce e cofundador da francana HubSales, a diversificação da economia passa necessariamente pela tecnologia. Ele disse que houve “uma diversificação natural” e cita como exemplo o próprio calçado francano, cuja produção se distanciou do processo artesanal e rumou para a tecnologia.

“Há uma revolução, que o mercado está chamando de quarta revolução industrial, que é relacionada à tecnologia, ao uso de dados, ao desenvolvimento da informação, e isso tem trazido muita evolução para as indústrias que conseguem usar essa tecnologia e informação a seu favor”, disse, explicando que, dentro da quarta revolução industrial, existe a revolução da indústria que é um caminho só de ida.

Diante da nova realidade, essa senhora de quase 200 anos mostrou ser cosmopolita, vanguardista e empreendedora, e segue fazendo da tecnologia ferramenta de progresso para alimentar sua economia e expandir seus horizontes econômicos.

Um retrato de que a tecnologia transforma vidas, empresas e cidades e pode ser percebido quando se olha para o empreendedorismo em Franca. Entre os fomentos tecnológicos para o setor está o trabalho desenvolvido pela Impera (Incubadora de Empresas de Base Tecnológica), que seleciona projetos e oferta mentoria e suporte personalizados a seus idealizadores em segmentos bem diversificados, que passam pela indústria, comércio e prestação de serviços.

Para Jean Dunkl, mentor em Gestão Estratégica de Negócios, que é gestor da Impera, a tecnologia e a inovação andam de mãos dadas com o empreendedorismo. “São caminhos complementares. Nada sem empreendedorismo funciona. O ecossistema empreendedor para a sociedade de uma maneira geral é essencial e a cidade que não tiver esse ecossistema funcionando vai ficando para trás e tem dificuldade de se desenvolver”, disse.

METAMORFOSE CALÇADISTA

Um dos maiores polos calçadistas do país, a cidade assistiu seu setor industrial mais destacado sofrer duros golpes em sua robustez nas últimas décadas. “O Brasil vem vivenciando crise política ao longo dos anos, afetando diretamente a economia do país, com consequências diretas na indústria, principalmente a calçadista, que não possui capital de giro para dois meses”, afirma José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca).

O conglomerado de empresas gigantes que empregavam mais de 1 mil funcionários cedeu espaço para o predomínio das microempresas. Outra mostra do encolhimento do setor é que, em 2013, no que os setoristas consideram o melhor ano da história do calçado de Franca, havia, segundo o Sindifranca, uma capacidade instalada na cidade de 40 milhões de pares, foram produzidos 39,5 milhões de pares e o setor empregou a média anual de 28,5 mil funcionários.  Ao final de 2021, diz Brigagão, terão sido produzidos em torno de 18,5 milhões de pares e empregados 14,5 mil funcionários.

Os números são um reflexo da metamorfose pela qual passou o setor, que perdeu sua cultura exportadora com o fechamento das principais empresas que dominavam este mercado.

A nova realidade está fundamentada, segundo o setorista, no fato de o Brasil não possuir política industrial. “Ao longo dos últimos 35 anos, os governos, o Congresso Nacional, não se preocuparam em elaborar um planejamento industrial, dando aos empreendedores uma visão de longo prazo na industrialização do país. Ao contrário, desde 1986 o Brasil vem se desindustrializando, e, com isto, a indústria brasileira vem enfraquecendo ao longo dos anos, e qualquer crise mundial afeta a nossa já frágil indústria”, diz o presidente do Sindifranca.

RANKING DO EMPREENDEDORISMO

Muito além da incubadora, o empreendedorismo pode ser colocado como cereja no bolo de aniversário de Franca.

O ímpeto de crescer de Franca fez gigantes como Goiânia (GO), Fortaleza (CE) e Salvador (BA) comerem poeira no quesito empreendedorismo. Desenvolvido pela Endeavor em conjunto com a Enap (Escola Nacional de Administração Pública), o Índice de Cidades Empreendedoras de 2020 mostra que a cidade ocupa a 27ª posição no ranking de cidades mais empreendedoras do Brasil.

Para um comparativo consolidado, dados da Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo) e do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados em boletim econômico da Secretaria de Desenvolvimento Municipal mostram que só no primeiro semestre de 2021 cerca de mil empresas foram abertas e mais de cinco mil postos de trabalho foram gerados.

Um dos negócios que engrossam esse caldo é a empresa de tecnologia Profinanc, que opera há cerca de três anos e viu seu faturamento aumentar 200% só durante o período da pandemia (de março de 2020 em diante).

Atuando em quatro Estados, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul, a empresa presta serviços com base tecnológica relacionados à gestão de concessionárias de veículos, tendo entre seus principais clientes concessionárias de marcas como GM-Chevrolet e Nissan.

Com a gestão online, a empresa de Fabiano Torres e outros dois sócios-fundadores oferece suporte para que as concessionárias tenham mais rentabilidade e otimizem processos de venda e aquisição de crédito para clientes. “O mercado é muito amplo e as empresa de tecnologia podem ficar em Franca e ter pessoas desenvolvendo o trabalho de maneira remota. É uma oportunidade muito boa para a nossa cidade, tendo em vista que o cenário mudou e hoje temos mão de obra sendo formada aqui”, diz, citando ainda que a expansão clara do comércio eletrônico de grandes varejistas está evidenciando a tendência de os modelos 100% físicos acabarem. “Vão existir, mas quem quiser continuar no mercado terá de ter ação dentro do digital.”



COMENTÁRIOS

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  • Marcia R. G. Lombardi
    31/12/1969
    Apesar da maior diversificação de setores na cidade, o de calçados continua sendo a maior força geradora de trabalho e renda da cidade e as maioria das empresas de tecnologia estão voltadas a prestação de serviços às empresas vendedoras de calçados. Ainda é Franca quem calça a grande maioria dos homens no Brasil.
  • Lee Santana
    31/12/1969
    INFELIZMENTE FRANCA CONTINUA A MESMA CIDADE PROVINCIANA DE SEMPRE, DOMINADA E CONTROLADA POR MEIA DUZIA DE FAMILIAS QUE DITAM AS REGRAS E OS PREÇOS DA CIDADE. EXEMPLO DO QUANTO FRANCA É UMA CIDADE PROVINCIANA É O FATO DE QUE ATÉ HOJE NÃO EXISTE NA CIDADE UMA DELEGACIA DA POLICIA FEDERAL PARA EMISSÃO DE PASSAPORTE, É UMA VERGONHA !!!!
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