20 de janeiro de 2022

Franca

SEQUELAS DA COVID

'Em alguns momentos parece que não vou parar em pé, como se meus ossos estivessem quebrados'

Meses depois de contraírem a covid, pessoas contam que enfrentam sequelas até hoje. Dentre os problemas mais comuns, estão a perda do olfato e paladar, queda de cabelo e fadiga.

Franca 28/11/2021
Vinícius Nunes
da Redação
Arquivo GCN
Higor Prado, Rafael Carvalho e Jéssica Stanlei: francanos que contraíram covid e enfrentam sequelas da doença
Após meses desde que portaram o coronavírus e desenvolveram a Covid-19, algumas pessoas venceram a doença, mas não suas sequelas. Entre as mudanças em seus corpos estão a fadiga, perda do olfato e paladar, queda de cabelo e dificuldade para respirar e de realizar tarefas que antes eram feitas com naturalidade. Alguns até mesmo tiveram que deixar seu sonho de lado em razão dos problemas que as sequelas trouxeram.

O jovem Higor Prado, 20 anos, padeiro, adoeceu em agosto de 2020 e conta o que vem passando. “Meu corpo já não é o mesmo, canso mais em tudo que faço”, diz ele. “É como se eu estivesse com um terço da energia que eu tinha. Fiz um monte de exaO mes de rotina para ver se ficou alguma coisa afetada. Nos testes deu apenas falta de vitamina, mas a fadiga ninguém sabe qual a origem ou com o quê tem ligação. Até agora eu melhorei muito pouco”.

Higor conta que desde a sua infância quis ser militar, o que fez com que fosse muito ligado a esportes e desenvolvesse um bom condicionamento físico. Há 3 anos, o jovem explica que realizou as provas para ingressar na Polícia Militar, tendo muita facilidade nos testes físicos, mas agora a realidade é outra. “Antes eu corria 2,5 quilômetros em 12 minutos com muita facilidade, mal cansava. Hoje, depois de pegar covid, tenho que se matar para conseguir essa marca. Ainda que eu conseguisse passar nos testes, ainda teria que fazer a formação na escola de soldados. A covid acabou com meu sonho. Acabou com tudo, é muito complicado”, lamenta.

Num caso semelhante ao de Higor, o estudante de psicologia, Rafael Carvalho, de 18 anos, teve seu condicionamento físico afetado após contrair covid. “Perdi o olfato e me canso extremamente rápido. Eu conseguia jogar basquete durante 3 horas seguidas. Agora, depois dessa doença, custo jogar 10 minutos. Isso não é porque me tornei sedentário ou algo do tipo. Assim que melhorei da covid, continuo fazendo exercícios físicos, até porque é recomendado, mas infelizmente não aguento mais fazer tanta coisa”, diz o estudante.

Com sequelas ainda mais graves, a costureira Sônia Monteiro, que contraiu a covid em janeiro de 2021, explica como vem vivendo. “Em alguns momentos parece que não vou parar em pé, como se meus ossos estivessem quebrados. Sinto muita dor de cabeça e meu cabelo caiu. Hoje, se faço uma faxina, não consigo fazer inteira, faço um pouco e já me sento para descansar, é tudo de pouco em pouco”, explica.

A costureira lamenta sua situação e dá um aviso para que ninguém passe pelos mesmos problemas: “A doença existe. Muita gente acha que acabou, mas não. Temos que ter cautela e tomar cuidado. Cuide de si mesmo, use máscara, álcool em gel, tome distância e evite festas. Se sentir alguma coisa, se afaste de sua família. Perdi dois irmãos e eles pegaram da própria família”.

Algumas pessoas enfrentam sequelas um pouco mais leves, como é o caso de Ronivaldo Aparecido, 49 anos, vendedor externo de medicamentos. “Peguei covid em dezembro de 2020. Nos 3 primeiros dias já perdi totalmente o paladar e olfato. Melhorei um pouco, sinto gosto quando a comida está muito salgada ou doce”, diz ele.

A massoterapeuta Jéssica Stanlei, de 30 anos, teve covid em janeiro deste ano e também apresenta sequelas leves. “Ainda tenho olfato, mas as coisas estão com um cheiro diferente, algumas ficam com o cheiro tão forte que chega a incomodar. Minha respiração está mais difícil, me canso um pouco mais, mas nada que me impeça de trabalhar, por exemplo”, diz.

INDICADORES DE SEQUELAS 

O médico Homero Rosa, da Vigilância Epidemiológica de Franca, conta quais são as sequelas mais comuns. “Fraqueza, perda de massa muscular, perda momentânea de memória, dificuldade de concentração e raciocínio, queda de cabelo, problemas nas unhas, dores de cabeça, perda de olfato, paladar e, em alguns casos, problemas de audição e visão”.

Ainda de acordo com Homero, cerca de 20% dos que contraem a doença apresentam sequelas de curto ou longo prazo, com diferentes níveis de gravidade, de fraqueza, falta de ar, perda de massa muscular, olfato e paladar, até sequelas mais graves.

Ao ser questionado sobre o tempo para que uma pessoa se recupere dos efeitos da covid, o médico explica: “Isso é muito individual, depende muito de cada pessoa e quais órgãos foram afetados. A ciência ainda não tem ainda uma visão clara daquilo que faz com que o vírus escolha o pulmão, e não o fígado de uma pessoa, e do motivo de em outras pessoas afetar o cérebro. Da mesma forma, não sabemos os motivos das sequelas dessas pessoas”.

Em casos de pessoas que apresentem problemas pós-covid, Homero orienta que procurem um clínico geral, que encaminhará a pessoa para o especialista necessário, tendo em vista que as sequelas variam muito de pessoa para pessoa.



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