17 de janeiro de 2022

Opinião

OPINIÃO

Contagem regressiva: começou o último ano do governo Bolsonaro

Só o tempo cobrará o preço desses quatro anos de marcha à ré na história do Brasil.

Opinião 02/01/2022
Guilherme Cortez
especial para GCN
No 2º turno das eleições de 2018, quando grupos bem-intencionados, majoritariamente formados por jovens e estudantes – dentre os quais estava o autor desta coluna –, montaram banquinhas com bolo e café nas ruas e bateram de porta em porta para convencer seus vizinhos de que a vitória do então deputado Jair Bolsonaro representaria uma tragédia para o país, ninguém poderia imaginar que essa previsão seria levada a máxima potência.

Três anos se passaram desde que Bolsonaro vestiu a faixa presidencial em frente ao Palácio do Planalto. Seu histórico como um deputado federal improdutivo e caricato, que ganhou notoriedade por proferir baixarias contra seus desafetos – como xingar uma outra deputada de ‘vagabunda’ depois de dizer que não a estupraria porque ela não merecia e homenagear, no plenário da Câmara, um torturador conhecido por inserir ratos nas vaginas de suas vítimas –, já prenunciavam maus bocados para o povo brasileiro.

O primeiro ano de seu governo foi o que se podia esperar. Bolsonaro montou um ministério de pessoas desqualificadas, muitas delas fanáticas e extremistas. Para falar só dos mais notáveis: colocou um acusado de crime ambiental para comandar o Ministério do Meio Ambiente, uma fundamentalista religiosa a frente do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (antes apenas Ministério dos Direitos Humanos), um conspiracionista debilóide para ser responsável pelas relações internacionais do país e, para coroar, premiou o juiz que tirou seu principal oponente da eleição com o superpoderoso Ministério da Justiça. Vira e mexe, o Brasil descobre outra personalidade macabra que faz parte dos altos escalões do governo, como o secretário de Cultura que, no começo de 2020, imitou uma peça de comunicação nazista ou o assessor presidencial que, em uma sessão filmada do Senado, fez um gesto associado aos supremacistas brancos dos Estados Unidos.

Não podia dar certo e não deu. Logo o Brasil começou a chamar a atenção do mundo pela onda de incêndios e desmatamento que devastaram a Floresta Amazônica, o Pantanal e outros biomas nacionais. Sob a batuta de ministros aloprados, a educação se tornou um terreno de batalha ideológica, com ameaças de intervenção em livros didáticos e no ENEM e de cortes de verbas em universidades públicas. Mas nada poderia nos preparar para o que veio em seguida.

No começo de 2020, o planeta foi surpreendido por um novo e perigoso vírus, que se disseminava muito rapidamente através do contato entre as pessoas. Países do mundo inteiro paralisaram suas atividades e mandaram seus cidadãos ficarem em casa para evitar o contágio. Na contramão, Bolsonaro foi em rede nacional de rádio e TV menosprezar os riscos da nova doença, o que logo se transformou em uma campanha sistemática do seu governo contra as medidas de prevenção. Sempre que pôde, o presidente promoveu e incentivou aglomerações, evitou o uso de máscaras, minimizou os números de casos e mortes causados pelo coronavírus e desacreditou ora o isolamento social, ora a vacina.

Não parou por aí. Não fosse suficiente a cifra de 600 mil brasileiros mortos pela covid-19, o país mergulhou em uma profunda crise econômica. Sob o comando de Paulo Guedes – o admirador do ditador chileno Augusto Pinochet que Bolsonaro dizia ser seu “posto Ipiranga” –, o Brasil bateu recorde de desemprego, com 14,8 milhões de brasileiros fora do mercado de trabalho no primeiro trimestre de 2021, a inflação atingiu o maior índice desde o começo do Plano Real e o brasileiro viu a gasolina passar de R$6,00 o litro.

Com a aprovação popular em queda livre e acuado por denúncias de corrupção envolvendo sua própria família – como a denúncia de ‘rachadinha’ no mandato do senador Flávio Bolsonaro e a mal explicada história dos cheques depositados na conta da primeira-dama –, o presidente teve que radicalizar para manter sua estreita base de apoiadores fanáticos. Assim, proferiu bravatas contra o Supremo Tribunal Federal, ameaçou descumprir decisões judiciais, colocou em dúvida as eleições do ano que vem e flertou com iniciativas golpistas. Sem força para levar a cabo seus intentos autoritários, recuou humilhado.

A distribuição de recursos públicos através de emendas parlamentares e do recém-revelado “orçamento secreto” permitiram ao governo afastar a ameaça dos mais de 100 pedidos de impeachment contra o presidente até agora. Embora ostente uma longa lista de violações à Constituição, o afastamento de Bolsonaro antes do fim de seu mandato parece pouco provável.

Mas se a chave do cofre permitiu ao presidente completar três anos de mandato, não conseguirá evitar o encontro com o calendário eleitoral. No dia 2 de outubro deste ano, os brasileiros vão votar no 1º turno das eleições presidenciais. Segundo o instituto de pesquisas Datafolha, se a votação fosse hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria vitorioso, com 48% das intenções de voto contra menos da metade (22%) de Bolsonaro. Lula, aliás, também liderava as pesquisas para as eleições de 2018 quando foi afastado da disputa por uma condenação judicial – depois anulada –, abrindo caminho para a vitória do atual presidente.

Ajudado pela ausência de seu principal adversário, Bolsonaro ganhou as eleições passadas em cima de uma campanha de desinformação, alimentando mentiras e preconceitos da população. Conseguiu convencer muita gente de que estava em jogo a derrota de um projeto de perversão moral e sexual da sociedade. Agora, com milhões de brasileiros desempregados, passando fome e/ou com familiares perdidos para a covid-19, vai ter mais dificuldade para repetir esse feito. Teorias da conspiração bizarras não enchem o prato de ninguém.

Enquanto a população do sul da Bahia sofre com intensas chuvas que causaram deslizamentos de terra, destruíram casas e arruinaram cidades inteiras, o desalmado presidente tirou férias e se divertiu em Santa Catarina, andando de jet-ski, posando em frente a bares e visitando parques. Não apenas um mal governante, Bolsonaro também é um péssimo ser humano. Só o tempo cobrará o preço desses quatro anos de marcha à ré na história do Brasil, mas uma coisa é certa: 2022 será o último ano de seu governo.

Guilherme Cortez é advogado



COMENTÁRIOS

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  • Dimas
    31/12/1969 4 Curtiram
    Realmente e muito pouco tempo ,conserta a casa que os vagabundos devastaram em 18anos . Fica aqui o lembrete com todas as dificuldade que o atual presidente está enfrentando já fez muito mais que a cambada antiga (consertando o rombo ) Hoje vejo o quanto o PT era ruim.
  • Alex
    31/12/1969 3 Curtiram
    Corrigindo: Último ano do primeiro mandato. Kkkkkkkkk
  • Julio César Liporoni
    31/12/1969 2 Curtiram
    #Bolsonaro2022
  • José da Silva maria
    31/12/1969 1 Curtiu
    Impressionante como a imprensa fala mal do presidente, somos um dos países com mais vacinados, nao tivemos nenhum escândalo de corrupção, investimento em infraestrutura, segurança pública . É só analisar os números sem sentimentalismo! Compare nossa inflação com a do resto do mundo, parem de enganar os menos esclarecidos…
  • Jose
    31/12/1969 1 Curtiu
    Quem acredita que a volta da ladroagem do PT é a solução precisa ser internado imediatamente
  • Marcio
    31/12/1969 1 Curtiu
    COMEÇOU O ÚLTIMO ANO DE GOVERNO BOLSONARO ???E AS ELEIÇÕES 2022 ???ESSA OPINIÃO ESTA BASEADA NO DATAFOLHA ???O PAIS ESTÁ CAMINHANDO DE MARCHA RÉ ? ENTÃO QUER DIZER QUE NOS GOVERNOS ANTERIORES ONDE SÓ TINHA CORRUPÇÃO E CORRUPTOS COMANDANDO O PAÍS ESTÁVAMOS INDO PRA FRENTE
  • Marcio da Silva
    31/12/1969 1 Curtiu
    Contagem regressiva pra maís 4 ANOS de Governo Bolsonaro sem corrupção, GRANDES OBRAS no Nordeste enfrentou 2 ANOS DO VÍRUS CHINÊS MUNDIAL, AUXÍLIOS pra MUITAS Famílias , corruptos fazendo julgamento em CPI pra incriminar o PRESIDENTE , ATÉ AGORA NINGUÉM FOI PRESO COM DINHEIRO
  • Sebastião Gonçalves Dias.
    31/12/1969
    Desejemos graças, o sofrimento e a incredulidade do desgoverno está chegando ao fim, o país merece coisa melhor, muito melhor, chega dessa loucura que o Brasil viveu nos últimos três anos.
  • Marcão
    31/12/1969
    Quem votou nesse traste desse presidente atual deveria ter vergonha da burrice que fez (bolsonaro na cadeia 2022)
  • Rodrigo de Lima
    31/12/1969
    Lendo seu texto, analisando cada comentário
  • Kiki
    31/12/1969
    Advogadozinho com ligação ao PSOL. Mais de 100 milhões de mortes pelo comunismo durante o século 20 e ainda contando parece que ainda não foi o suficiente pra esse pessoal. Holocausto é fichinha perto disso.
  • 31/12/1969
    Bendito seja Deus! O governo do Presidente Jair Messias Bolsonaro conseguiu romper uma sequência de governos que haviam feito do assalto aos cofres públicos o jeito \"normal\" de fazer política. Não conseguiu governar de fato, é verdade. O stf, nossa pequena corte, não deixou como admitiu o dias tóffoli quando disse recentemente em Portugal que no Brasil o stf assumiu o poder moderador implantando um semipresidencialismo. Mas o Presidente Bolsonaro conseguiu dar passos importantes. Cada alegação de que o Presidente teria cometido algum crime é sempre acompanhada de acusações sem fundamento ou dos tradicionais \"precisariam páginas e mais páginas para descrever os crimes\", mas não descrevem. Não existem. Que os perversos reconheçam, convertam-se de suas perversidades e queiram o bem do nosso País. E que queiram também o próprio Bem. Sejam perversões de que natureza forem: morais, sexuais, políticas, religiosas... convertamo-nos para não perecermos nós e nosso país.
  • Paulo fca
    31/12/1969 1 Curtiu
    E amigo a esquerda nunca mais voltará .as. Máscaras caíram vocês não converse mais ninguém. Errou a previsão ainda falta mais 5 anos
  • SILZA HELENA
    31/12/1969
    Matéria muito bem fundamentada, bem escrita, que descreve a realidade de um governo e gestor desumano, onde como sempre quem sente na pele é a população. A história não mente e esse será o legado de Bolsonaro; deixar um rastro de sofrimentos, fome e mortes.
  • Francisco Matos
    31/12/1969 2 Curtiram
    Quatro anos de destruição e o pior - centenas de milhares de morte por omissão. Nunca se viu um governo tão desastrado. O fato é que o cara é dotado de puro ódio. Tem desprezo por tudo que possa ajudar os mais humildes e adora gastar milhões nossos em cada feriado. Zombam das pessoas e da Mídia wue faz o seu papel de tentar entrevistar o tal verme. O ainda vom relação a minha Franca esse Zepovinho vai dar vitória ao genocida awui na terrinha. A sorte é que o eleitorado daqui não elege nem deputado.
  • Edilson
    31/12/1969
    Concordo plenamente que este não acrescentou nada ao País, agora querer exaltar um BANDIDO, que deveria estar PRESO!! ai não meu senhor, chega dw capitães e analfabetos no governo do BRASIL, um imprestável que criou uma geração de bandidos NUNCA MAIS, chega!! Acorda BRASIL!!
  • Rogerio
    31/12/1969 1 Curtiu
    Jornalzimho esquerdista! Vcs é que estão com os dias contados. #BOLSONARO2022!
  • cesar
    31/12/1969 1 Curtiu
    Bolsonaro vai ganhar, e mais quatro anos serão suficientes para acabar com jornalecos como este!!!!!!!
  • Pedro de Lara
    31/12/1969 1 Curtiu
    Que o governo do Bolsonaro continue por mais 4 anos. Só assim pra reconstruir o que o Petê estragou em vários anos de governo. O estrago foi grande que deixaram na mão do Bolsonaro. E na pandemia, vários indicadores positivos. Imagina se fosse na era Lula, que roubalheira que não ia ser nessa fase de compra de vacinas. Bolsonaro 2022
  • Daniel
    31/12/1969 1 Curtiu
    Onde a marcha ré, meu caro? Analise o nordeste, as obras sendo entregues...
  • Anônimo
    31/12/1969
    Hoje postarei meu último comentário porque tudo que acontece no país é só o presidente culpado sendo que os esquerda nem deixa ele trabalhar direto como cidadão vou votar e permanecer calado não compensa discutir num país onde nós eleitor somos os verdadeiros ignorante da situação e sendo assim damos mais força pra que o governo seja bom ou ruim fazer o que quiser não existe um só culpado somos vários culpados mais tem gente cidadão bom aí pra fortalecer o Brasil querido um ótimo ano a todos.
  • djalma
    31/12/1969
    Correção: último ano do primeiro mandato. A julgar pelos potenciais concorrentes, sendo o menos desqualificado um condenado pela justiça por crimes gravíssimos, será reeleito em primeiro turno.
  • FM
    31/12/1969
    Seja mais sincero com os leitores, escreva a verdade, \"advogado e filiado ao PSOL, partido de extrema esquerda\".
  • Andreia
    31/12/1969
    Que tristeza ler os comentários. A matéria é irretocável, exagamente o desastre que aconteceu com nosso país. Ou essas pessoas vivem em outro planeta ou são mal intencionadas mesmo. Vergonha de ser francana.
  • jose antonio lomonaco
    31/12/1969
    Hahahahaha - o Autor é filiado ao PSOL (está no site dele). Já diz tudo.
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