20 de janeiro de 2022

Franca

DISCUSSÃO

Condephaat questiona obras em casarão histórico da Estação

Apesar de não ser tombado, casarão, segundo presidente do Condephaat, não pode ser demolido por proteger outros edifícios históricos. Ele diz que a Prefeitura não pode expedir alvará de demolição ou alteração sem consultar o órgão.

Franca 14/01/2022
Pedro Baccelli
da Redação
Pedro Baccelli/GCN
Casarão entre a rua General Osório e a rua Diogo Feijó, em Franca
O casarão que pertenceu à família Abrão, no cruzamento da rua General Osório com a rua Diogo Feijó, no bairro Estação, está sofrendo mudanças estruturais – sem consultoria prévia do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico). 
 
De acordo com o presidente do Conselho, Pedro Tosi, a Prefeitura de Franca não pode expedir alvará de demolição ou alteração sem consultar o Condephaat. Se aconteceu a expedição, ainda segundo ele, o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) corre risco de ter de prestar explicações ao Ministério Público. 
 
“Se o Condephaat tivesse sido consultado, eu seria contra a demolição e a favor do tombamento, porque o imóvel representa a chegada dos árabes, libaneses e sírios aos estratos médios e superiores da sociedade francana”, conta.
 
Apesar de não ser tombado, Tozi explica que o casarão não pode ser demolido por proteger outros edifícios históricos. "Se um prédio está localizado perto de outros bens tombados, ele protege o bem tombado. O casarão está perto do Coreto e do Complexo da Estação da Mogiana."
 
Noronha Júnior, de 35 anos, possui uma loja de imóveis para escritório em frente ao casarão. "Esse prédio por muito tempo foi alugado para uma clínica de prótese dentária. Foi uma escola, era excelente. Mas, de uns tempos para cá, ele já vem causando grandes dissabores para aqueles que têm comércio ou moram na região da Estação."
 
O lojista comemora a reformulação, uma vez que o imóvel foi invadido por moradores de rua e pedintes. "Eles invadiram um prédio privado, defecam, urinam e usam drogas dentro do prédio. Acaba sendo um lugar para bandido se esconder. Eles vêm, nos rouba e têm onde se esconder."
 
A reportagem questionou a Prefeitura sobre as obras, mas até a publicação deste texto não obteve resposta. 
Na fachada do prédio, há uma faixa de imobiliária, anunciando que o imóvel está disponível para locação para ser instalada uma farmácia no local.
 
História
Avaliando a construção, Tosi acredita que o casarão começou a ser erguido em meados da década de 1940.
 
O imóvel pertenceu a Maria Abrão. Filha de comerciante da Estação, ela se formou na primeira turma da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Franca, atual Unesp (Universidade Estadual Paulista). Lecionou geografia na rede pública em escolas de Franca e Pedregulho. Maria Abrão era atuante na comunidade libanesa e síria de Franca e região.


COMENTÁRIOS

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  • Gustavo
    31/12/1969
    Cidade de Franca, não preserva nenhum pouco sua história. Um edifício tão belo, e que um processo de revitalização simples, seria muito fácil alugar pelo preço certo. Porém sabemos que o setor de projeto na prefeitura e o Alexandre deve ser cobrados.
  • Freitas
    31/12/1969
    E lá se vai uma das poucas casas antigas e bonitas que resistiram a \"modernidade\" francana. Cidade sem cultura, não respeita a própria história. Substituem construções com personalidade por blocos de concreto quadrados, horrorosos, sem vida.
  • Deva Dence
    31/12/1969 1 Curtiu
    Quem gosta de prédio velho é assombração, bora renovar a cara dessa cidade, meter logo uns prédião cheio de espelho ai e lucrar, o lucro é que importa, pra cima empresariado.
  • GUSTAVO
    31/12/1969 1 Curtiu
    Sinceramente, acho que a igreja matriz é muito mais importante para a cultura de Franca do que este casarão. Quero ver o Coordenador do Condephaat, ousar tal façanha.
  • Marina
    31/12/1969 2 Curtiram
    Tá , e aí, como fica daqui tá frente, sem telhado, sem cuidado ou será demolido de vez? Outra coisa, não existem mais revisores dos textos escritos? Loja de \"imóveis\" para escritórios?
  • Patrimônio Histórico
    31/12/1969 2 Curtiram
    O Condephaat e a Prefeitura deveriam ser responsabilizados pela falta de conservação de referido prédio. Referidos órgãos públicos deveriam arcar com TODAS as despesas de conservação, manutenção e restauração do prédio, além da fiscalização do mesmo, conforme preconiza a legislação em vigor. Deveriam também pagar um bom aluguel do prédio para os seus proprietários, já que o imóvel sofre uma série de limitações em razão da sua história e relevância para a sociedade e para o patrimônio Histórico e cultural da cidade. O prédio e os proprietários merecem um tratamento digno por parte da municipalidade local e do Condefat. Merecem até uma indenização justa, prévia e em dinheiro, pela limitação que estão querendo impor a propriedade e aos seus proprietários, conforme prevê a legislação em vigor.
  • Patrimônio Histórico e Cultural
    31/12/1969 1 Curtiu
    A, outra coisa: Precisa também ficar isento do pagamento do IPTU, em razão das limitações a serem impostas ao imóvel e a seus proprietários, além do Poder Público ser obrigado a arcar com as despesas de restauração, manutenção e conservação do prédio, mais ser obrigado a pagar um bom aluguel aos proprietários, bem como a indeniza-los em razão das limitações sofridas ao imóvel, conforme prevê a legislação em vigor. É aquele velho e conhecido ditado popular: \"Não existe almoço grátis\".
  • Chiarello Netto
    31/12/1969
    O Condephaat tomba mas não cuida da conservação e quer submeter os proprietários a respeitarem seus anseios. No caso em tela, o prédio nem mesmo tombado foi, portanto, não razão para que a Prefeitura consultasse esse órgão defensor de sucata.
  • Prédio da AEC do Centro
    31/12/1969
    Causa espécie e muita estranheza o Condephaat e a Prefeitura de Franca não ter tombado o antigo prédio da AEC no Centro de Franca. Deixaram descaracterizar aquele importante prédio que REPRESENTAVA sim um verdadeiro e legítimo patrimônio Histórico, cultural, artístico e paisagístico da cidade, que, pelo visto o Poder Econômico dos adquirentes falou mais alto que o interesse público de tutela do patrimônio Histórico, cultural e paisagístico. Na ocasião, pelo que se sabe, ninguém fez nada para preservar aquele importante prédio realmente histórico e cultural da cidade, nem mesmo o Ministério Público e o Condephaat, pelo que se sabe. Agora vêem chorar as pitangas por causa de um prédio que está em ruínas e prestes a desabar pelo visto, pondo em risco os pedestres que passam pelo local.
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