17 de janeiro de 2022

Franca

'VAPE'

Febre entre jovens, cigarro eletrônico é pior que cigarro comum e vicia mais

Dos modelos de “vape”, o que possui o menor teor de nicotina ainda tem seis vezes mais que o cigarro normal – outros modelos podem ter até 14 vezes. Ao menos duas substâncias cancerígenas e maior capacidade de adentrar os pulmões já foram identificados, diz Paulo Antônio Faleiros, médico pneumologista.

Franca 2 dias atrás
Heloísa Taveira
da Redação
Reprodução/Pixabay
Ao menos duas substâncias cancerígenas estão presentes na composição do cigarro eletrônico.
No mercado há pouco mais de duas décadas, o cigarro eletrônico tem ganhado cada vez mais força desde 2018. A princípio, o dispositivo tinha o objetivo de substituir o cigarro comum, sem malefícios. No entanto, com o avanço dos estudos, descobriu-se que os chamados “vapes” têm mais nicotina e uma capacidade maior e melhor de adentrar os pulmões.

A nicotina é a principal substância capaz de causar o vício. Ao longo dos anos, as indústrias passaram a fabricar modelos com menos nicotina, mas o médico pneumologista Paulo Antônio Faleiros alerta: até mesmo o dispositivo que tem o menor teor da substância tem uma carga seis vezes maior que o cigarro normal - e essa diferença pode chegar a até 14 vezes.

“Para piorar, além de ter uma dose de nicotina maior, a absorção dela e de outras substâncias é quatro vezes maior nos nossos pulmões. A nicotina vai rapidamente para o cérebro, liberando endorfinas, que causam um bem-estar e que a gente acaba viciando.”

Outras substâncias prejudiciais à saúde também fazem parte da composição do cigarro eletrônico – um deles é o propilenoglicol. “Esse é o álcool onde a nicotina se dissolve. Quando esse álcool é queimado, ele se transforma em formaldeído, uma das substâncias mais cancerígenas que existem”, explicou o pneumologista.

Apesar de já tem sido identificados alguns dos componentes que possam causar impacto na saúde do usuário, assim como acontece com o cigarro normal, a ciência não sabe quantos e quais são, no total. Ainda assim, é possível prever alguns dos malefícios ao corpo humano.

“A gente sabe que o cigarro comum causa o enfisema em cerca de 20 anos, mas o cigarro eletrônico a gente não sabe”, disse o médico. “Sabemos que há uma associação ao câncer de bexiga e a uma doença que se chama Evali – uma lesão que inflama os pulmões de uma maneira muito intensa, que pode levar a uma insuficiência respiratória aguda e até à morte”.

A longo prazo, Paulo Antônio Faleiros não tem dúvidas de que o cigarro eletrônico faz muito mal à saúde e que pode ser um grande risco aos jovens, que são os principais consumidores: “Pode ser o grande problema do futuro”.

Perfil 

O cigarro eletrônico é mais utilizado por indivíduos do sexo masculino, de maior escolaridade, maior renda e que já eram fumantes. O risco de iniciação ao tabagismo aos que não fumam é significativamente maior entre os usuários do “vape”.

“O cigarro eletrônico triplicou a iniciação do cigarro comum – a criança ou adolescente começa fumando o cigarro eletrônico e depois passa para o cigarro comum. A nicotina no cérebro do adolescente aumenta o risco de uso de outras drogas de quatro a cinco vezes. O que se está oferecendo é uma nova porta de entrada ao vício da nicotina”, afirmou Paulo.

As indústrias

A Philip Morris International, dona da marca de cigarros Marlboro, é uma das maiores multinacionais produtoras de tabaco e derivados, com produtos vendidos em mais de 180 países. Em 2003, ela mudou o nome para Altria Group para dissociar a imagem da marca de tabaco. Em 2018 a empresa investiu bilhões de dólares por 35% de participação na startup de cigarros eletrônicos Juul Labs.

Detentora das ações da maior fabricante de cigarro eletrônico e comum do mundo, em agosto de 2021 a Altria Group comprou 22,61% da Vectura, maior fabricante de dispositivos inalatórios, como os equipamentos para tratamento de asma.

“A empresa que fabrica o cigarro comum e que tem lucro nas vendas dos cigarros eletrônicos agora comprou parte das ações da maior fabricante de bombinha do mundo. Ou seja, eles vão querer deixar as pessoas doentes com os cigarros e vão vender o tratamento para elas”, afirmou o pneumologista.

Proibição no Brasil

Por ser uma ferramenta eletrônica cujos efeitos ainda são pouco conhecidos, o Ministério da Saúde permite apenas o seu uso, sendo que, conforme determinação da Anvisa (Agência Reguladora de Vigilância Sanitária) a propaganda, comercialização e importação do cigarro eletrônico é proibida no Brasil. Ainda assim, é comum que o dispositivo seja encontrado facilmente em tabacarias e até bares.



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  • Darsio
    31/12/1969
    Não entendo. Onde está a graça ou o charme em colocar fumaça tóxica para dentro do corpo e ainda ficar com a pele, a boca e os cabelos fedendo cigarro. Eu disse fedendo, pois nem perfume e nem balas conseguem disfarçar o fedor que fica. E, o mais absurdo ainda é os os caras ignorarem o fato de que a mesma empresa que os induz a se envenenar com essa droga, é a mesma que vende tratamento para as sequelas. Me perdoe, mas nessa questão não é lei que vai resolver, mas sim um pouco mais de inteligência por parte dos jovens.
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