RECEITA

RECEITA

Mini acarajé

Mini acarajé

Culturalmente, só mulheres deveriam fazer acarajé, o bolinho de feijão recheado com camarões que todo turista come nos restaurantes típicos e nas praias da Bahia.

Culturalmente, só mulheres deveriam fazer acarajé, o bolinho de feijão recheado com camarões que todo turista come nos restaurantes típicos e nas praias da Bahia.

Por Sonia Machiavelli | 26/03/2022 | Tempo de leitura: 3 min
especial para o GCN

Por Sonia Machiavelli
especial para o GCN

26/03/2022 - Tempo de leitura: 3 min

Ingredientes

Bolinho

  • ½ kg de feijão-fradinho
  • 1 cebola grande picada
  • Sal a gosto
  • Pimenta-do-reino a gosto
  • 1 xícara (chá) de azeite de dendê
  • 1 xícara (chá) de óleo

Recheio

  • 1 colher (sopa) de óleo
  • 1 dente de alho amassado
  • 1 cebola picada em cubinhos
  • ½ kg de camarão médio limpo
  • 1 colher (sopa) de farinha de trigo
  • 4 tomates, sem pele e sem sementes, picados
  • 1 colher (chá) de sal
  • 1 colher (sopa) de cheiro-verde picado

Culturalmente, só mulheres deveriam fazer acarajé, o bolinho de feijão recheado com camarões que todo turista come nos restaurantes típicos e nas praias da Bahia. Sua história é rica, embora nos remeta a um passado escravagista.

"Iansã, a deusa dos ventos e das tempestades, foi à casa de Ifá (oráculo africano) buscar um alimento para seu marido. Ifá o entregou recomendando que quando Xangô comesse fosse falar para o povo... Chegando em casa, Iansã colocou nas mãos de Xangô o alimento, sem esquecer de repassar as informações do Ifá. Antes, curiosa, experimentou  um pedacinho. Xangô comeu e quando estava  falando ao povo, começaram a sair labaredas da sua boca. Aflita, Iansã correu para ajudá-lo, começando também a ter labaredas saindo da sua boca. Diante disso, o povo começou a saudá-los como grandes reis de Oyó, ou seja, os grandes reis do fogo.”

A narrativa acima é encontrada em várias publicações patrocinadas pela Fundação Joaquim Nabuco. Situa o acarajé no nicho da rica mitologia dos pretos que chegaram ao Brasil vindos principalmente do Golfo do Benim. Aqui escravizados pelos brancos, eles conseguiram manter suas tradições que vigoram até hoje na Bahia, especialmente em Salvador, cidade de população majoritariamente preta.

O nome acarajé nasceu portanto da língua Iorubá, sendo a junção de “akará” (bola de fogo) e “jé” (comer), na tradução literal “comer bola de fogo”. No Candomblé, o bolinho recheado é oferecido para Iansã, orixá feminina, cultuada em religiões de matriz africana aqui no Brasil.

O feijão a ser empregado na massa é o “fradinho”, de grãos brancos, pequenos, que têm um hilo preto.  Lembra mesmo um frade de vestimenta branca. Para fazer acarajé, começa-se na véspera. Coloque o feijão fradinho cru no processador e bata para quebrá-lo (mas não triturá-lo). Isso facilitará a retirada das cascas. Deixe os pedacinhos de molho na água. No dia seguinte, mexa a água com colher e vá retirando as cascas com uma peneirinha. Repita a operação, se necessário. Quando os feijões estiverem limpos, leve-os de novo ao processador com a cebola bem picada e triture até obter uma massa homogênea. Salgue e apimente.  Junte a massa obtida numa tigela grande. Neste ponto, as baianas usam uma colher de pau de cabo logo para bater a massa até que ela fique encorpada. Mas nós podemos obter ótimo resultado fazendo uso da batedeira de bolo até a massa dobrar ou triplicar de volume. Isso significa que fermentou e o bolinho ficará leve.

Em panela funda, aqueça o azeite com o óleo. Coloque dentro uma cebola inteira com sua casca, para que o azeite não queime. A parte mais delicada vem a seguir. Para fazer os bolinhos, use duas colheres de sopa. Encha uma com massa e com a ajuda de outra formate com cuidado, para que não perca a forma de bolinho e vire panqueca. Os acarajés devem ser fritos na gordura quente. Assim que dourar, retire com espumadeira e coloque-os em um prato com papel absorvente. Reserve. A técnica é parecida com a de fritar bolinho de chuva.

Prepare o recheio. Em uma panela, aqueça o óleo e doure o alho e a cebola. Agregue o camarão e o tomate picado. Mexa e quando formar um caldinho, junte a farinha de trigo. Salgue e apimente a gosto.  Finalize com cheiro verde. Se gostar de coentro, é o indicado. Misture bem. 

Para montar, abra os bolinhos e recheie com o molho de camarão. Sirva em seguida, não se esquecendo do vinagrete e da pimenta à parte. Essa receita rende 30 acarajés pequenos.

Ingredientes

Bolinho

  • ½ kg de feijão-fradinho
  • 1 cebola grande picada
  • Sal a gosto
  • Pimenta-do-reino a gosto
  • 1 xícara (chá) de azeite de dendê
  • 1 xícara (chá) de óleo

Recheio

  • 1 colher (sopa) de óleo
  • 1 dente de alho amassado
  • 1 cebola picada em cubinhos
  • ½ kg de camarão médio limpo
  • 1 colher (sopa) de farinha de trigo
  • 4 tomates, sem pele e sem sementes, picados
  • 1 colher (chá) de sal
  • 1 colher (sopa) de cheiro-verde picado

Culturalmente, só mulheres deveriam fazer acarajé, o bolinho de feijão recheado com camarões que todo turista come nos restaurantes típicos e nas praias da Bahia. Sua história é rica, embora nos remeta a um passado escravagista.

"Iansã, a deusa dos ventos e das tempestades, foi à casa de Ifá (oráculo africano) buscar um alimento para seu marido. Ifá o entregou recomendando que quando Xangô comesse fosse falar para o povo... Chegando em casa, Iansã colocou nas mãos de Xangô o alimento, sem esquecer de repassar as informações do Ifá. Antes, curiosa, experimentou  um pedacinho. Xangô comeu e quando estava  falando ao povo, começaram a sair labaredas da sua boca. Aflita, Iansã correu para ajudá-lo, começando também a ter labaredas saindo da sua boca. Diante disso, o povo começou a saudá-los como grandes reis de Oyó, ou seja, os grandes reis do fogo.”

A narrativa acima é encontrada em várias publicações patrocinadas pela Fundação Joaquim Nabuco. Situa o acarajé no nicho da rica mitologia dos pretos que chegaram ao Brasil vindos principalmente do Golfo do Benim. Aqui escravizados pelos brancos, eles conseguiram manter suas tradições que vigoram até hoje na Bahia, especialmente em Salvador, cidade de população majoritariamente preta.

O nome acarajé nasceu portanto da língua Iorubá, sendo a junção de “akará” (bola de fogo) e “jé” (comer), na tradução literal “comer bola de fogo”. No Candomblé, o bolinho recheado é oferecido para Iansã, orixá feminina, cultuada em religiões de matriz africana aqui no Brasil.

O feijão a ser empregado na massa é o “fradinho”, de grãos brancos, pequenos, que têm um hilo preto.  Lembra mesmo um frade de vestimenta branca. Para fazer acarajé, começa-se na véspera. Coloque o feijão fradinho cru no processador e bata para quebrá-lo (mas não triturá-lo). Isso facilitará a retirada das cascas. Deixe os pedacinhos de molho na água. No dia seguinte, mexa a água com colher e vá retirando as cascas com uma peneirinha. Repita a operação, se necessário. Quando os feijões estiverem limpos, leve-os de novo ao processador com a cebola bem picada e triture até obter uma massa homogênea. Salgue e apimente.  Junte a massa obtida numa tigela grande. Neste ponto, as baianas usam uma colher de pau de cabo logo para bater a massa até que ela fique encorpada. Mas nós podemos obter ótimo resultado fazendo uso da batedeira de bolo até a massa dobrar ou triplicar de volume. Isso significa que fermentou e o bolinho ficará leve.

Em panela funda, aqueça o azeite com o óleo. Coloque dentro uma cebola inteira com sua casca, para que o azeite não queime. A parte mais delicada vem a seguir. Para fazer os bolinhos, use duas colheres de sopa. Encha uma com massa e com a ajuda de outra formate com cuidado, para que não perca a forma de bolinho e vire panqueca. Os acarajés devem ser fritos na gordura quente. Assim que dourar, retire com espumadeira e coloque-os em um prato com papel absorvente. Reserve. A técnica é parecida com a de fritar bolinho de chuva.

Prepare o recheio. Em uma panela, aqueça o óleo e doure o alho e a cebola. Agregue o camarão e o tomate picado. Mexa e quando formar um caldinho, junte a farinha de trigo. Salgue e apimente a gosto.  Finalize com cheiro verde. Se gostar de coentro, é o indicado. Misture bem. 

Para montar, abra os bolinhos e recheie com o molho de camarão. Sirva em seguida, não se esquecendo do vinagrete e da pimenta à parte. Essa receita rende 30 acarajés pequenos.

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