CLIMA

CLIMA

Tempestade 'empacada' prolonga onda de frio no Brasil

Tempestade 'empacada' prolonga onda de frio no Brasil

No outono as massas de ar polar da região da Antártida derrubam temperaturas no Brasil. Mas, neste ano, a presença da tempestade Yakecan criou uma barreira para o ar frio.

No outono as massas de ar polar da região da Antártida derrubam temperaturas no Brasil. Mas, neste ano, a presença da tempestade Yakecan criou uma barreira para o ar frio.

Por Angela Pinho | 18/05/2022 | Tempo de leitura: 2 min
da Folhapress

Por Angela Pinho
da Folhapress

18/05/2022 - Tempo de leitura: 2 min

Reprodução/Pixabay

Os efeitos dessa configuração meteorológica vão desde a chuva de granizo que aconteceu no começo da semana no Rio de Janeiro até os ventos mais intensos no Sul.

A combinação entre a presença de uma massa de ar polar com uma tempestade relativamente "empacada" no Sul do país é responsável pela onda de frio em boa parte do Brasil, afirmam meteorologistas.

Não é novidade que no outono a chegada de massas de ar polar vindas da região da Antártida derruba temperaturas no Brasil. Mas, neste ano, a presença da tempestade Yakecan criou uma espécie de barreira para o ar frio, deixando-o de certa forma aprisionado dentro do país, afirma a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo.

Inicialmente chamada de ciclone, Yakecan foi reclassificada como tempestade subtropical pela Marinha na segunda-feira, 16, quando a Defesa Civil Nacional emitiu alerta sobre o fenômeno.

Ambos –tempestade subtropical e ciclone– são sistemas de baixa pressão atmosférica que se movimentam em sentido horário no Hemisfério Sul, mas a magnitude das tempestades é maior. A denominação subtropical se refere à temperatura, que é maior no núcleo do que na atmosfera ao redor dele.

O comportamento pouco usual de Yakecan, ao se mover muito lentamente, intensifica e prolonga os efeitos especialmente no Sul e no Sudeste, acrescenta o professor Ricardo de Camargo, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosférias (IAG-USP).

Ele explica que a Yakecan está, de certa forma, "estacionada" ao sul do país devido a características da configuração atmosférica. É claro que a palavra "estacionada" é quase uma espécie de licença, porque uma massa de vento obviamente não fica parada.

O que ocorre com a Yakecan, de fato, é que ela está se movendo mais lentamente que o padrão. Com isso, diz Camargo, acaba por interagir bastante com o oceano, que fornece vapor de água que, por sua vez, se transforma em nuvens.

Os efeitos dessa configuração meteorológica peculiar no país vão desde a chuva de granizo que aconteceu no começo da semana no Rio de Janeiro até os ventos mais intensos no Sul, mas sentidos também, por exemplo, em São Paulo, e o frio acima da média em Brasília, por exemplo.

No Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), meteorologistas ressaltam que o frio em si não é atípico, já que uma característica do outono é justamente a presença de temperaturas mais baixas.

Para Andrea Ramos, do instituto, a situação é atípica pela duração: massas de ar frio costumam permanecer por cerca de três dias, mas o vento gelado não deve se dissipar antes do final de semana.

Ela e Mamedes Luiz Melo apontam também a influência do fenômeno La Niña, que esfria as águas do Oceano Pacífico e muda o padrão de ventos na região, antecipando as frentes frias.

A situação se traduz em frio, chuva e geadas.

A boa notícia para quem não suporta o clima congelante é que o ciclone se afasta cada vez mais na direção do oceano, o que facilitará a dissipação da frente fria –até que venha a próxima.

A combinação entre a presença de uma massa de ar polar com uma tempestade relativamente "empacada" no Sul do país é responsável pela onda de frio em boa parte do Brasil, afirmam meteorologistas.

Não é novidade que no outono a chegada de massas de ar polar vindas da região da Antártida derruba temperaturas no Brasil. Mas, neste ano, a presença da tempestade Yakecan criou uma espécie de barreira para o ar frio, deixando-o de certa forma aprisionado dentro do país, afirma a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo.

Inicialmente chamada de ciclone, Yakecan foi reclassificada como tempestade subtropical pela Marinha na segunda-feira, 16, quando a Defesa Civil Nacional emitiu alerta sobre o fenômeno.

Ambos –tempestade subtropical e ciclone– são sistemas de baixa pressão atmosférica que se movimentam em sentido horário no Hemisfério Sul, mas a magnitude das tempestades é maior. A denominação subtropical se refere à temperatura, que é maior no núcleo do que na atmosfera ao redor dele.

O comportamento pouco usual de Yakecan, ao se mover muito lentamente, intensifica e prolonga os efeitos especialmente no Sul e no Sudeste, acrescenta o professor Ricardo de Camargo, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosférias (IAG-USP).

Ele explica que a Yakecan está, de certa forma, "estacionada" ao sul do país devido a características da configuração atmosférica. É claro que a palavra "estacionada" é quase uma espécie de licença, porque uma massa de vento obviamente não fica parada.

O que ocorre com a Yakecan, de fato, é que ela está se movendo mais lentamente que o padrão. Com isso, diz Camargo, acaba por interagir bastante com o oceano, que fornece vapor de água que, por sua vez, se transforma em nuvens.

Os efeitos dessa configuração meteorológica peculiar no país vão desde a chuva de granizo que aconteceu no começo da semana no Rio de Janeiro até os ventos mais intensos no Sul, mas sentidos também, por exemplo, em São Paulo, e o frio acima da média em Brasília, por exemplo.

No Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), meteorologistas ressaltam que o frio em si não é atípico, já que uma característica do outono é justamente a presença de temperaturas mais baixas.

Para Andrea Ramos, do instituto, a situação é atípica pela duração: massas de ar frio costumam permanecer por cerca de três dias, mas o vento gelado não deve se dissipar antes do final de semana.

Ela e Mamedes Luiz Melo apontam também a influência do fenômeno La Niña, que esfria as águas do Oceano Pacífico e muda o padrão de ventos na região, antecipando as frentes frias.

A situação se traduz em frio, chuva e geadas.

A boa notícia para quem não suporta o clima congelante é que o ciclone se afasta cada vez mais na direção do oceano, o que facilitará a dissipação da frente fria –até que venha a próxima.

COMENTÁRIOS

A responsabilidade pelos comentários é exclusiva dos respectivos autores. Por isso, os leitores e usuários desse canal encontram-se sujeitos às condições de uso do portal de internet do Portal GCN e se comprometem a respeitar o Código de Conduta On-line do GCN.

Ainda não é assinante?

Clique aqui para fazer a assinatura e liberar os comentários no site.