OPINIÃO

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Orgulho LGBT, mesmo sem uma Semana

Orgulho LGBT, mesmo sem uma Semana

Na próxima terça-feira, dia 28 de junho, celebra-se o Dia Internacional do Orgulho LGBT. Leia o artigo de Guilherme Cortez.

Na próxima terça-feira, dia 28 de junho, celebra-se o Dia Internacional do Orgulho LGBT. Leia o artigo de Guilherme Cortez.

Por Guilherme Cortez | 26/06/2022 | Tempo de leitura: 4 min
especial para o GCN

Por Guilherme Cortez
especial para o GCN

26/06/2022 - Tempo de leitura: 4 min

Na próxima terça-feira, dia 28 de junho, celebra-se o Dia Internacional do Orgulho LGBT. A data remete à rebelião de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais contra a repressão policial ao bar Stonewall Inn, na cidade de Nova York. O bar era um ponto de encontro da comunidade e sofria constantes invasões e abusos por parte da polícia até que, no dia 28 de junho de 1969, seus frequentadores se revoltaram, revidaram os ataques e organizaram grandes manifestações contra a violência e a discriminação, no que se tornou um marco para o movimento LGBT moderno.

Por conta disso, o dia 28 de junho se tornou uma data de reflexão sobre a intolerância motivada pela diversidade sexual e de gênero e afirmação do orgulho das pessoas LGBTs.

Um ano atrás, este colunista e outros ativistas ocuparam o espaço da tribuna livre da Câmara de Franca diante de uma plateia de vereadores pouco interessados para fazer referência à data e relatar a realidade vivida pela população LGBT na cidade. Essas intervenções motivaram a proposição de um projeto de lei para instituir no calendário oficial do município a Semana do Orgulho LGBT, na semana do dia 28 de junho. O projeto foi assinado por três parlamentares: Lindsay Cardoso, Gilson Pelizaro e Marcelo Tidy.

Quem acompanha o cotidiano da Câmara de Franca e de outras casas legislativas país afora sabe que a instituição de marcos nos calendários oficiais é corriqueira. O calendário de Franca, por exemplo, é profícuo em datas pouco ou nada representativas, a imensa maioria desconhecida da população. Recentemente, os vereadores aprovaram a criação do Dia dos Colecionadores, Atiradores ou Caçadores, para homenagear as pessoas que têm como passatempo disparar armas de fogo, mesmo que seja contra animais vivos. Outras datas ainda mais pitorescas são o Dia do Jipe, o Dia Municipal da Força Jovem Universal e a Semana da Jornada Legislativa. A maioria delas aprovada a toque de caixa, sem grande discussão entre os vereadores.

Apesar da relativa facilidade com que os vereadores aprovam datas no calendário oficial do município, o projeto de lei que pretendia instituir a Semana do Orgulho LGBT enfrentou uma resistência silenciosa na Câmara e fora dela. Embora seus oponentes não tenham tomado a palavra em um momento sequer para justificar suas posições, o projeto foi rejeitado com 10 votos contrários e apenas 3 favoráveis. O vereador Daniel Bassi se ausentou. A maior surpresa é que um dos votos que ajudou a barrar a Semana veio de um dos seus autores: o vereador Marcelo Tidy. A Lindsay e Pelizaro, se juntou o vereador Donizete da Farmácia, que votou favorável ao projeto.

A instituição de uma data em referência ao orgulho LGBT no calendário oficial do município seria um ato simbólico. O Brasil é o país no mundo onde mais se morrem vítimas de discriminação por conta de orientação sexual e identidade de gênero. Nesse quesito, Franca não é exceção como o recente caso da transfobia na Expoagro demonstrou. A mera criação de um dia, semana ou mês não seria capaz de mudar por si esse quadro, mas serviria como um reconhecimento do poder público de que essa realidade precisa de respostas.

Mas a rejeição a um projeto tão simples, e de maneira tão diferente ao que costuma acontecer com projetos semelhantes, deu outro recado: o poder público de Franca, em especial a maioria dos vereadores da Câmara, não se importa com a realidade e as pautas da comunidade LGBT e não está disposto a avançar um milímetro sequer em políticas efetivas. Mesmo um marco simbólico no calendário seria ousadia demais! Imagine então políticas concretas para garantir a plena cidadania e os direitos dessa população.

Estacionadas em algum lugar remoto do século passado, a Câmara de Franca e a maioria das autoridades municipais insistem em enxergar a comunidade LGBT ora como figuras excêntricas, ora indesejáveis. Por isso, falar em “orgulho” lhes parece demais: ‘como assim ter orgulho de ser assim?’. Por trás desse pensamento, se esconde a ideia de que pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais são dotadas de uma condição desagradável, que não deveria ser propagada e nem incentivada. Como se fosse uma doença transmissível. Para eles, ser LGBT só se for escondido. Orgulhoso, nem pensar!

Essas ideias primitivas não deveriam ter espaço na política ou em qualquer lugar em pleno ano de 2022, mas infelizmente ainda estamos muito longe da civilidade e os últimos anos só trouxeram mais retrocessos nessa matéria. Apesar disso, o movimento LGBT tem crescido e ocupado cada vez mais espaços, midiáticos e políticos. No último domingo, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo reuniu 4 milhões de pessoas na Avenida Paulista, mantendo o posto de maior manifestação do mundo.

Com ou sem uma semana no calendário de Franca, a comunidade LGBT segue se orgulhando e quebrando barreiras, aqui e no mundo todo. Os que se horrorizam com esses avanços vão ter cada vez mais motivos para tal e eles sabem que não podem se manter numa redoma de preconceito e atraso por mais muito tempo.

Guilherme Cortez é advogado.

Na próxima terça-feira, dia 28 de junho, celebra-se o Dia Internacional do Orgulho LGBT. A data remete à rebelião de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais contra a repressão policial ao bar Stonewall Inn, na cidade de Nova York. O bar era um ponto de encontro da comunidade e sofria constantes invasões e abusos por parte da polícia até que, no dia 28 de junho de 1969, seus frequentadores se revoltaram, revidaram os ataques e organizaram grandes manifestações contra a violência e a discriminação, no que se tornou um marco para o movimento LGBT moderno.

Por conta disso, o dia 28 de junho se tornou uma data de reflexão sobre a intolerância motivada pela diversidade sexual e de gênero e afirmação do orgulho das pessoas LGBTs.

Um ano atrás, este colunista e outros ativistas ocuparam o espaço da tribuna livre da Câmara de Franca diante de uma plateia de vereadores pouco interessados para fazer referência à data e relatar a realidade vivida pela população LGBT na cidade. Essas intervenções motivaram a proposição de um projeto de lei para instituir no calendário oficial do município a Semana do Orgulho LGBT, na semana do dia 28 de junho. O projeto foi assinado por três parlamentares: Lindsay Cardoso, Gilson Pelizaro e Marcelo Tidy.

Quem acompanha o cotidiano da Câmara de Franca e de outras casas legislativas país afora sabe que a instituição de marcos nos calendários oficiais é corriqueira. O calendário de Franca, por exemplo, é profícuo em datas pouco ou nada representativas, a imensa maioria desconhecida da população. Recentemente, os vereadores aprovaram a criação do Dia dos Colecionadores, Atiradores ou Caçadores, para homenagear as pessoas que têm como passatempo disparar armas de fogo, mesmo que seja contra animais vivos. Outras datas ainda mais pitorescas são o Dia do Jipe, o Dia Municipal da Força Jovem Universal e a Semana da Jornada Legislativa. A maioria delas aprovada a toque de caixa, sem grande discussão entre os vereadores.

Apesar da relativa facilidade com que os vereadores aprovam datas no calendário oficial do município, o projeto de lei que pretendia instituir a Semana do Orgulho LGBT enfrentou uma resistência silenciosa na Câmara e fora dela. Embora seus oponentes não tenham tomado a palavra em um momento sequer para justificar suas posições, o projeto foi rejeitado com 10 votos contrários e apenas 3 favoráveis. O vereador Daniel Bassi se ausentou. A maior surpresa é que um dos votos que ajudou a barrar a Semana veio de um dos seus autores: o vereador Marcelo Tidy. A Lindsay e Pelizaro, se juntou o vereador Donizete da Farmácia, que votou favorável ao projeto.

A instituição de uma data em referência ao orgulho LGBT no calendário oficial do município seria um ato simbólico. O Brasil é o país no mundo onde mais se morrem vítimas de discriminação por conta de orientação sexual e identidade de gênero. Nesse quesito, Franca não é exceção como o recente caso da transfobia na Expoagro demonstrou. A mera criação de um dia, semana ou mês não seria capaz de mudar por si esse quadro, mas serviria como um reconhecimento do poder público de que essa realidade precisa de respostas.

Mas a rejeição a um projeto tão simples, e de maneira tão diferente ao que costuma acontecer com projetos semelhantes, deu outro recado: o poder público de Franca, em especial a maioria dos vereadores da Câmara, não se importa com a realidade e as pautas da comunidade LGBT e não está disposto a avançar um milímetro sequer em políticas efetivas. Mesmo um marco simbólico no calendário seria ousadia demais! Imagine então políticas concretas para garantir a plena cidadania e os direitos dessa população.

Estacionadas em algum lugar remoto do século passado, a Câmara de Franca e a maioria das autoridades municipais insistem em enxergar a comunidade LGBT ora como figuras excêntricas, ora indesejáveis. Por isso, falar em “orgulho” lhes parece demais: ‘como assim ter orgulho de ser assim?’. Por trás desse pensamento, se esconde a ideia de que pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais são dotadas de uma condição desagradável, que não deveria ser propagada e nem incentivada. Como se fosse uma doença transmissível. Para eles, ser LGBT só se for escondido. Orgulhoso, nem pensar!

Essas ideias primitivas não deveriam ter espaço na política ou em qualquer lugar em pleno ano de 2022, mas infelizmente ainda estamos muito longe da civilidade e os últimos anos só trouxeram mais retrocessos nessa matéria. Apesar disso, o movimento LGBT tem crescido e ocupado cada vez mais espaços, midiáticos e políticos. No último domingo, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo reuniu 4 milhões de pessoas na Avenida Paulista, mantendo o posto de maior manifestação do mundo.

Com ou sem uma semana no calendário de Franca, a comunidade LGBT segue se orgulhando e quebrando barreiras, aqui e no mundo todo. Os que se horrorizam com esses avanços vão ter cada vez mais motivos para tal e eles sabem que não podem se manter numa redoma de preconceito e atraso por mais muito tempo.

Guilherme Cortez é advogado.

12 COMENTÁRIOS

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  • Darsio
    27/06/2022
    Não é correto que, o poder público seja confiscado por certos interesses religiosos. A CF estabelece que o Brasil é um país laico e, portanto, certos pastores não podem fazer de uma Câmara municipal, a extensão de suas igrejas. Aliás, estamos passando por escândalos e mais escândalos envolvendo pastores, sendo os mais recentes os relacionados com a roubalheira praticada junto aos recursos do MEC. Dados levantados pela PF atestam que muita gente de fé entrou nessa roubalheira, haja vista que até mesmo parentes dos pastores do OURar receberam graciosos depósitos. Nada contra igrejas, mas já se passou do momento de haver uma investigação séria sobre os negócios de certos líderes que, de pessoas com pouca ou nenhuma posse material, acumularam imensas fortunas com os dízimos de seus seguidores. Aliás, Jesus deve estar revoltado em saber que o seu nome é bastante usado para se ganhar dinheiro. E, bota dinheiro nisso!
  • Gustavo
    28/06/2022
    Franca ainda é uma cidade pequena, arcaíca e bem problemática em vários âmbitos, mas infelizmente com prevalência de pensamentos, majoritariamente, conservadores e intolerantes por parte da população. Mas tenho esperança de que um dia tenhamos uma ampla representatividade e que pensamentos mais modernos sejam adotados, tanto na política, na impressa municipal ou nas rádios da cidade.
  • Darsio
    30/06/2022
    Tenho pra mim que estamos voltando para as trevas da Idade Média. Certas igrejas atuam para estorquir o povo em nome de Deus e com isso enriquecer suas lideranças, bem como serví-las de muito luxo e privilégios as custas da miséria de milhões de pessoas. Crer nas ciências se transformou em algo profundamente pecador e merecedor de excomungação do reino dos céus. As vidas das pessoas passam a ser totalmente controladas pelas insanidades dos fundamentalistas religiosos. As mulheres não são donas de seus proprios corpos, concebidos como propriedades particulates de seus maridos que, em nome do moralismo e de Deus, possuem total liberdade para usar, abusar e descartar.´O prazer sexual se transformou em pecado, ainda mais quando se refere a bisexualidade ou a homosexualidade. Portanto, não estranhem se num futuro próximo, a pessoa for presa pelo simples fato de se enquadrar na comunidade LGBTQI+, pois estamos deixando de ser um país laico e se transformando numa república fundamentalista cristã.
  • André
    30/06/2022
    Vergonha pros lgbt de Franca é ter vc como um representante
  • Alex
    01/07/2022
    HUUUUUUUUMMMMMMM!!!!!! O puldo letrado e pós letrado está começando a se soltar. Pelo visto é chegado em uma festinha. KKKKKKKKKKKKKKK Vai lá puldo sai do armário de vez KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
  • Darsio
    01/07/2022
    Olha só o ruminante do alex. E, nao é que o sujeito é um bolsominion típico, ou seja, imbecil, preconceituoso, insano e destituido de qualquer capacidade cognitiva. Alguém poderia abrir as porteiras e guiar esse ruminante para alguma igreja onde se compra apartamentos no céu. Sou heterosexual e, se não fosse haveria algum problema? Trabalho honestamente, pago os meus impostos em dia e, me vejo com os mesmos direitos assegurados pela CF. O ruminante do alex não possui caráter e, provavelmente não teve uma boa mãe, pois se tivesse tido, teria um mínimo de educação , de respeito as diversidades e de vergonha na cara. E, peço desculpas aos ruminantes pela triste comparação.
  • Alex
    04/07/2022
    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK. Calma puldo surtado. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
  • Darsio
    05/07/2022
    Não somente a comunidade LGBT é profundamente atacada pelo GENOCIDA e seus devotos ruminantes. A Caixa Econômica Federal é mais um exemplo do quanto as mulheres são concebidas por esses idiotas, como meras mercadorias. Babacas que, se passam de moralistas, fiéis a Deus e suas famílias, mas que não passam de puro lixo e, da pior qualidade, que não serve nem para a reciclagem. Devemos lutar pelos disreitos de todos, até mesmo do Aristides que, como se sabe teve caso com o GENOCIDA.
  • Isa
    05/07/2022
    Xiiii colocou a mãe na conversa, isso é jogo baixo heim kkkkkkk Parece aqueles menininhos de quinta série discutindo kkkkkkk Lembrei do filme das branquelas quando uma delas zoam a mãe da patricinha, aiaiaiai
  • Darsio
    06/07/2022
    A porteira está aberta, pois uma ruminante acaba de deixar o estábulo. Alguém poderia perguntar a essa ruminante a razão pela qual o mito GENOCIDA dela mais que dobrou os investimentos na Globo? Afinal, a Globo não é comunista? E, as pesquisas que o colocam bem atrás do Lula não são falsas? Mas, a ruminante em questão, ainda não nos disse por qual motivo acessa o portal GCN, se vive desqualificando-o por também considerá-lo comunista.
  • Isa
    07/07/2022
    Ai nossa, ruminante, blablabla, nossa genocida, blablabla.. ai aumentou investimento.. ai você não pode entrar aqui, ai nossa eu coloco a mãe na briga pq sou uma criancinha que não sabe argumentar, só sei repetir as mesmas asneiras em todos os comentários.. já te falei meu querido, entro aqui só pra me divertir, amo ver seu ódio sendo destilado, sua ira, seu veneno, e também a sua burrice, essa em especial me diverte demais.
  • Muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
    08/07/2022
    Béééééééééééééééééééééééééééééé´. Muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu. Desesperado o GENOCIDA está pagando mais que o dobro para a Globo, pois precisa da emissora comunista para tentar reverter os números da pesquisa. Alguém poderia encher o cocho com capim e, com isso manter ocupadas as bocas de alguns ruminantes? Afinal, de tão burros riem das próprias imbeciliudades. Vamos dar capim para as vaquinhas e os boizinhos. Vamos!