OPINIÃO

OPINIÃO

Vou ali e já volto

Vou ali e já volto

Escrever semanalmente para este portal tem sido uma das experiências mais divertidas desse último ano. Leia o artigo de Guilherme Cortez.

Escrever semanalmente para este portal tem sido uma das experiências mais divertidas desse último ano. Leia o artigo de Guilherme Cortez.

Por Guilherme Cortez | 17/07/2022 | Tempo de leitura: 3 min
especial para o GCN

Por Guilherme Cortez
especial para o GCN

17/07/2022 - Tempo de leitura: 3 min

Comecei a escrever para o GCN em 28 de março do ano passado, sobre a grave situação pela qual a cidade de Franca passava um ano depois do início da pandemia de covid-19. De lá para cá foram 54 colunas de opinião – até esta, a 55ª –, sobre os mais variados temas e assuntos, de Franca, do Brasil e do mundo.

Debatemos a proposta de proibir as carroças movidas a tração animal em pauta na Câmara Municipal. Quando faltou água nas torneiras dos francanos e os vereadores discutiam a diminuição da proteção do Rio Canoas, travamos um debate saudável com a Associação de Loteadores. Em mais de uma ocasião, falamos sobre os crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente da República e os pedidos de impeachment contra ele. Questionamos a imposição de escolas cívico-militares em Franca, discutimos a necessidade de um lockdown na cidade quando o sistema de saúde colapsou e pautamos a crise ambiental profunda que se abateu sobre a nossa região no segundo semestre do ano passado – e já dá indícios de retornar. Comemoramos os 60 anos da UNESP, lamentamos os casos de violência contra as mulheres e a comunidade LGBT em Franca e criticamos a forma como os sucessivos governos que se revezaram na Prefeitura trataram os comerciantes ambulantes da cidade.

Escrever semanalmente para este portal tem sido uma das experiências mais divertidas desse último ano. Me acostumei com os comentários mal-educados, às vezes cômicos, dos críticos. Mas não naturalizei as ofensas e xingamentos preconceituosos, que registro um por um para denunciar à Justiça. Infelizmente, só assim algumas pessoas são capazes de entender que a internet não é terra sem lei.

Minha atuação política nunca foi segredo para os colegas do GCN – e nem poderia ser, afinal comecei a escrever esta coluna após ter sido um dos candidatos a vereador mais votados da cidade na última eleição. Em mais de uma vez, como na polêmica em torno do projeto de lei que pretendia instituir uma Semana do Orgulho LGBT no calendário oficial do município e acabou rejeitado pela maioria dos vereadores, fui ao mesmo tempo colunista e participante dos acontecimentos. Nenhuma vírgula, travessão ou ponto final dos meus 55 textos foram alterados ou questionados pelo paciente time de editoria que me auxiliou ao longo desses meses.

Agora, como é de conhecimento público e noticiado neste portal, sou mais uma vez pré-candidato. Embora a lei eleitoral não proíba que candidatos mantenham colunas de opinião em veículos de comunicação – como faz com apresentadores e comentários de rádio e TV –, as responsabilidades de uma candidatura são incompatíveis com a tarefa de escrever, semanalmente e com qualidade, para os milhares de leitores que acessam um portal como o GCN. Há também um componente ético: não gostaria que as discussões que fazemos aqui se confundam com campanha eleitoral, como não tem sido até aqui. Por isso, esta é a última coluna que escrevo até as eleições.

Um sujeito político como eu não pode assistir de fora as eleições mais importantes das nossas vidas. Tem muita coisa em jogo, a começar pelo futuro da minha geração. Desejo que toda a população estude bem as candidaturas em disputa e vote consciente no dia 2 de outubro. Por tudo isso, agradeço a quem nos acabou até aqui, vou ali e no dia 9 de outubro estou de volta – espero que em um país melhor.

Guilherme Cortez é advogado.

Comecei a escrever para o GCN em 28 de março do ano passado, sobre a grave situação pela qual a cidade de Franca passava um ano depois do início da pandemia de covid-19. De lá para cá foram 54 colunas de opinião – até esta, a 55ª –, sobre os mais variados temas e assuntos, de Franca, do Brasil e do mundo.

Debatemos a proposta de proibir as carroças movidas a tração animal em pauta na Câmara Municipal. Quando faltou água nas torneiras dos francanos e os vereadores discutiam a diminuição da proteção do Rio Canoas, travamos um debate saudável com a Associação de Loteadores. Em mais de uma ocasião, falamos sobre os crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente da República e os pedidos de impeachment contra ele. Questionamos a imposição de escolas cívico-militares em Franca, discutimos a necessidade de um lockdown na cidade quando o sistema de saúde colapsou e pautamos a crise ambiental profunda que se abateu sobre a nossa região no segundo semestre do ano passado – e já dá indícios de retornar. Comemoramos os 60 anos da UNESP, lamentamos os casos de violência contra as mulheres e a comunidade LGBT em Franca e criticamos a forma como os sucessivos governos que se revezaram na Prefeitura trataram os comerciantes ambulantes da cidade.

Escrever semanalmente para este portal tem sido uma das experiências mais divertidas desse último ano. Me acostumei com os comentários mal-educados, às vezes cômicos, dos críticos. Mas não naturalizei as ofensas e xingamentos preconceituosos, que registro um por um para denunciar à Justiça. Infelizmente, só assim algumas pessoas são capazes de entender que a internet não é terra sem lei.

Minha atuação política nunca foi segredo para os colegas do GCN – e nem poderia ser, afinal comecei a escrever esta coluna após ter sido um dos candidatos a vereador mais votados da cidade na última eleição. Em mais de uma vez, como na polêmica em torno do projeto de lei que pretendia instituir uma Semana do Orgulho LGBT no calendário oficial do município e acabou rejeitado pela maioria dos vereadores, fui ao mesmo tempo colunista e participante dos acontecimentos. Nenhuma vírgula, travessão ou ponto final dos meus 55 textos foram alterados ou questionados pelo paciente time de editoria que me auxiliou ao longo desses meses.

Agora, como é de conhecimento público e noticiado neste portal, sou mais uma vez pré-candidato. Embora a lei eleitoral não proíba que candidatos mantenham colunas de opinião em veículos de comunicação – como faz com apresentadores e comentários de rádio e TV –, as responsabilidades de uma candidatura são incompatíveis com a tarefa de escrever, semanalmente e com qualidade, para os milhares de leitores que acessam um portal como o GCN. Há também um componente ético: não gostaria que as discussões que fazemos aqui se confundam com campanha eleitoral, como não tem sido até aqui. Por isso, esta é a última coluna que escrevo até as eleições.

Um sujeito político como eu não pode assistir de fora as eleições mais importantes das nossas vidas. Tem muita coisa em jogo, a começar pelo futuro da minha geração. Desejo que toda a população estude bem as candidaturas em disputa e vote consciente no dia 2 de outubro. Por tudo isso, agradeço a quem nos acabou até aqui, vou ali e no dia 9 de outubro estou de volta – espero que em um país melhor.

Guilherme Cortez é advogado.

2 COMENTÁRIOS

A responsabilidade pelos comentários é exclusiva dos respectivos autores. Por isso, os leitores e usuários desse canal encontram-se sujeitos às condições de uso do portal de internet do Portal GCN e se comprometem a respeitar o Código de Conduta On-line do GCN.

Ainda não é assinante?

Clique aqui para fazer a assinatura e liberar os comentários no site.

  • Darsio
    18/07/2022
    Todos os bolsominions tem um DNA característico: os caras não conseguem desconstruir uma ideia contrária ao que eles pensam, com argumentos sólidos e calcados na razão. Logo, preferem se esconder em meio a codinomes ou atacar as pessoas com as mais inaceitáveis ofensas. Não me importa qual seja o partido ou candidato, mas uma certeza eu tenho: temos de vencer essa escória do bolsonarismo e frear de vez esse maldito extremismo de direita.
  • fafa
    27/07/2022
    parabens Guilherme Cortez. se incomodou os defensores do miliciano é pq vc esta certo.