NOSSAS LETRAS

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O memoricídio feminino na literatura

O memoricídio feminino na literatura

Em diferentes áreas, a representatividade feminina é historicamente menor do que a masculina e na literatura isso não seria diferente. Leia o artigo de Samira Alves.

Em diferentes áreas, a representatividade feminina é historicamente menor do que a masculina e na literatura isso não seria diferente. Leia o artigo de Samira Alves.

Por Samira Alves | 23/07/2022 | Tempo de leitura: 2 min
especial para o GCN

Por Samira Alves
especial para o GCN

23/07/2022 - Tempo de leitura: 2 min

Em diferentes áreas, a representatividade feminina é historicamente menor do que a masculina e na literatura isso não seria diferente. Mas talvez a grande novidade nesse ponto é que no ofício da escrita as mulheres poderiam estar mais presentes, se não fosse um fenômeno chamado memoricídio.

Esse assassinato ou apagamento das memórias, neste caso, das mulheres, faz com que a sociedade caia no mito de que a mulher produziu menos que homens por conta do papel que a sociedade impôs durante séculos, como o de donas de casa e esposas, as impossibilitando de produzir conteúdo literário.

Como condutora do grupo de estudos Pensadoras Latino-Americanas, da Rino Educação, mediei o debate Qual o lugar das mulheres na literatura?. A discussão foi enriquecida pelas pesquisadoras doutorandas em Literatura brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Priscila Branco e Janda Montenegro, além de Carina Carvalho, mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Na conversa, descobrimos que mesmo com essas imposições de papéis sociais a mulher nunca deixou de produzir literatura, podendo ter se igualado aos homens ou, talvez, até superado. No entanto, pela falta de registros da atuação feminina também nessa área, hoje temos a impressão de que elas produziram menos.

Ou seja, as mulheres escreveram e escrevem assim como os homens. O que acontece é que nem sempre elas chegam ao mercado editorial, seja pelo mal arquivamento, atividade também dominada por homens, ou até mesmo porque suas ideias são roubadas, como foi o caso de Karl Marx que utilizou pensamentos de uma de suas contemporâneas como se fossem dele.

Mas então, já que é sempre assim, o que podemos fazer? Bem, na mesma roda de conversa debatemos sobre a importância de dois pontos que ajudam a reduzir esse impacto negativo: a ocupação de mulheres em cargos de liderança nas empresas e o incentivo à pesquisa.

O aumento do nome de mulheres nas lombadas dos livros passou a ser notado entre os séculos XX e XXI. Isso se deu graças à presença feminina na liderança das editoras. O fato de ter mulheres ocupando cargos de gestão nessas empresas fez com que aumentasse o acesso feminino, ainda que privilegiado, às estantes das bibliotecas.

E quanto à pesquisa, ao passo que aprendemos com o passado, encontramos diversas obras e feitos de mulheres que não estavam nos registros. Temos aí também a importância do adequado arquivamento. O ideal é que tenha o mínimo de viés inconsciente sobre essa tarefa de forma que evite o memoricídio feminino que acontece ao longo da história. Com mais mulheres pesquisando hoje, além de suas obras serem registros femininos, ainda recuperam aqueles que se perderam pelo caminho.

Samira Alves é psicóloga.

Em diferentes áreas, a representatividade feminina é historicamente menor do que a masculina e na literatura isso não seria diferente. Mas talvez a grande novidade nesse ponto é que no ofício da escrita as mulheres poderiam estar mais presentes, se não fosse um fenômeno chamado memoricídio.

Esse assassinato ou apagamento das memórias, neste caso, das mulheres, faz com que a sociedade caia no mito de que a mulher produziu menos que homens por conta do papel que a sociedade impôs durante séculos, como o de donas de casa e esposas, as impossibilitando de produzir conteúdo literário.

Como condutora do grupo de estudos Pensadoras Latino-Americanas, da Rino Educação, mediei o debate Qual o lugar das mulheres na literatura?. A discussão foi enriquecida pelas pesquisadoras doutorandas em Literatura brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Priscila Branco e Janda Montenegro, além de Carina Carvalho, mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Na conversa, descobrimos que mesmo com essas imposições de papéis sociais a mulher nunca deixou de produzir literatura, podendo ter se igualado aos homens ou, talvez, até superado. No entanto, pela falta de registros da atuação feminina também nessa área, hoje temos a impressão de que elas produziram menos.

Ou seja, as mulheres escreveram e escrevem assim como os homens. O que acontece é que nem sempre elas chegam ao mercado editorial, seja pelo mal arquivamento, atividade também dominada por homens, ou até mesmo porque suas ideias são roubadas, como foi o caso de Karl Marx que utilizou pensamentos de uma de suas contemporâneas como se fossem dele.

Mas então, já que é sempre assim, o que podemos fazer? Bem, na mesma roda de conversa debatemos sobre a importância de dois pontos que ajudam a reduzir esse impacto negativo: a ocupação de mulheres em cargos de liderança nas empresas e o incentivo à pesquisa.

O aumento do nome de mulheres nas lombadas dos livros passou a ser notado entre os séculos XX e XXI. Isso se deu graças à presença feminina na liderança das editoras. O fato de ter mulheres ocupando cargos de gestão nessas empresas fez com que aumentasse o acesso feminino, ainda que privilegiado, às estantes das bibliotecas.

E quanto à pesquisa, ao passo que aprendemos com o passado, encontramos diversas obras e feitos de mulheres que não estavam nos registros. Temos aí também a importância do adequado arquivamento. O ideal é que tenha o mínimo de viés inconsciente sobre essa tarefa de forma que evite o memoricídio feminino que acontece ao longo da história. Com mais mulheres pesquisando hoje, além de suas obras serem registros femininos, ainda recuperam aqueles que se perderam pelo caminho.

Samira Alves é psicóloga.

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