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De Franca à França: jovens francanos conquistam universidades de Paris

De Franca à França: jovens francanos conquistam universidades de Paris

Beatriz e Otávio devem se mudar em breve de Franca para Paris. Ela cursará música, e ele, engenharia civil. Conheça os sonhos desses dois jovens francanos.

Beatriz e Otávio devem se mudar em breve de Franca para Paris. Ela cursará música, e ele, engenharia civil. Conheça os sonhos desses dois jovens francanos.

Por Gabriel Garcia e Higor Goulart | 06/08/2022 | Tempo de leitura: 5 min
da Redação

Por Gabriel Garcia e Higor Goulart
da Redação

06/08/2022 - Tempo de leitura: 5 min

Arquivo pessoal

Os francanos Beatriz Faleiros de Souza e Otávio Augusto Ferreira Queiroz: rumo a Paris

Francanos, estudantes de escola pública e com pouco mais de 20 anos. As semelhanças entre os jovens Beatriz Faleiros de Souza e Otávio Augusto Ferreira Queiroz já são muitas. Neste ano, essas relações devem aumentar, com os dois conquistando oportunidades em Paris, na França. Beatriz cursará música, enquanto Otávio fará engenharia civil. Para darem início a mais esse sonho, ambos buscam ajuda através de vaquinhas virtuais.

Apaixonada pela música e envolvida por um espírito valente, a francana Beatriz Faleiros de Sousa, de apenas 21 anos, planeja rumar à França, onde foi admitida em três diferentes instituições de ensino musical. Devido a sua situação financeira, Beatriz não possui os recursos para a estadia no país estrangeiro e pede a colaboração e ajuda com sua vaquinha para conseguir se estabelecer no local por ao menos um mês.

A trajetória de Beatriz foi traçada pela música. Desde pequena nos encalços do pai, adquiriu o gosto por instrumentos. “Primeiramente meu pai tocava violão e então comecei a aprender com ele”, explica a musicista. Dos seis aos 17 anos, Beatriz participou de projetos sociais realizados pela Prefeitura de Franca, e foi nesse meio tempo que descobriu sua paixão pela inseparável parceira, a flauta transversal.

Um dos projetos que participou foi o Guri, onde teve os primeiros contatos com a flauta. “No Projeto Guri eu participava de corais e pedia muito à professora para me deixar tocar os instrumentos, mas como eu era muito pequena, braços curtos e mãos pequenas, ela vivia dizendo que não era a hora”, conta ela. “Então fiquei com a flauta doce, que era pequena e fácil. Um dia uma amiga me apresentou a flauta transversal, e desde então, sou apaixonada e toco todos os dias”.

Em 2017, os professores de Beatriz a incentivaram a prestar um vestibular e fomentar sua carreira, assim sendo, conseguiu uma bolsa de estudos na USP de Ribeirão Preto para cursar música e refinar ainda mais sua arte. Beatriz se forma neste semestre e já participou de várias atividades escolares como o projeto virtual em 2021 "Transnational Telematic Chamber Ensemble" – Our Music, Our Stories, coordenado por uma universidade na Califórnia, Riverside. E durante sua graduação foi bolsista integrante da USP Filarmônica, sob a regência do prof. dr. Rubens Ricciardi.

Em 2022, oportunidades surgiram. Beatriz foi admitida em três instituições francesas, sendo elas Conservatório Regional de Boulogne-Billancourt na classe de Céline Nessi, Conservatório Regional Marcel Dadi com Alain Menard, e no ensino superior (Licence 1) na Universidade de Versailles Saint-Quentin en Yvelines.

Seu plano é manter-se por pelo menos um mês com o dinheiro arrecadado em sua vaquinha. Beatriz diz que pela situação atual do Brasil “a desvalorização da nossa moeda trouxe dificuldades enormes para manter uma moradia estável na França, pelo alto valor do euro”. Apenas na moradia, a musicista estipula um gasto de R$ 40 mil de gastos por mês. “Eu já estive lá por um tempo e não é fácil. Vai ser realmente um desafio”, explicou.

“Estou indo, e preciso dessa ajuda, minha família não tem condições de me manter na França, então preciso dessa ajuda. E claro, assim que chegar lá, vou procurar um emprego, uma forma de me fixar. Dessa maneira consigo estabilidade suficiente para viver o meu sonho”, finaliza Beatriz Faleiros.

Futuro engenheiro
O jovem francano Otávio Ferreira Queiroz, de 22 anos, sempre teve um sonho: estudar engenharia civil na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Em 2019, ele conseguiu. Mal sabia ele que a mudança para Belo Horizonte traria novos rumos. Após dois anos na universidade, Otávio foi aprovado para um intercâmbio em Paris, na EIVP (Ecole des Ingénieurs de la Ville de Paris).

Por toda vida estudante de escola pública, Otávio foi atingindo de pouco em pouco seus objetivos, até chegar a oportunidade que, até o momento, é a maior de sua vida. Primeiro, ao sair do ensino médio, passou em engenharia civil pela Escola de Engenharia Kennedy, em BH. Não satisfeito, buscou o que tanto sonhava e passou na UFMG no mesmo curso. "Estou fazendo um curso que sempre quis, na universidade que sempre quis", contou Otávio.

Após a admissão na faculdade do seus sonhos, Otávio teve uma palestra que acenderia uma nova chama na sua vida. "No primeiro semestre, tive uma palestra de introdução ao curso, onde falaram sobre esse intercâmbio, que era regido pelo programa da Brafitec. Eu queria cursar algo fora do país. Quando escutei sobre na palestra, isso reacendeu dentro de mim e foquei para conquistar", relembrou.

Por dois anos, Otávio ficou com a palestra na cabeça. Quando atingiu o quinto período, descobriu que eram apenas cinco vagas para conseguir a oportunidade do intercâmbio. Ele tentou e conseguiu. "Desde o primeiro semestre na UFMG, me dediquei para conseguir isso, tirando notas boas, participando de projetos de extensão, iniciação científica e monitorias (...) até conseguir conquistar esse sonho e esse objetivo".

Agora, Otávio se prepara para a segunda mudança na sua vida. A primeira, de Franca a Belo Horizonte, foi de pouco mais de 450 quilômetros. Desta vez, a viagem será um pouco mais longa, de 8,6 mil km, do Brasil à França. "Me sinto abençoado pelo esforço de todo o processo. Também estou com medo de tudo o que está por vir, mas isso faz parte da experiência. Tive medo de quando sai de Franca e fui estudar em BH. Agora, é um medo misturado com ansiedade de sair do Brasil e ir para França".

Apesar da ansiedade, Otávio não vê a hora de chegar a hora de entrar no avião e rumar para um novo país. "Estudarei engenharia civil em um país diferente, com língua, cultura e visão distintas da nossa. Isso enriquece a gente enquanto profissional e cidadão do mundo".

O ponta pé para a mudança está marcado para setembro. Para conseguir viajar, Otávio tem contado com a ajuda de amigos e também com uma vaquinha virtual, onde ele busca uma verba inicial para a mudança. "Os gastos são bem altos nos primeiros meses. A vaquinha é para ajudar a pagar a passagem de avião, o visto, aluguel e caução do lugar onde irei morar. Tudo isso engloba o valor que coloquei como meta, para ajudar nos dois primeiros meses. Durante esse tempo, vou procurando um emprego para me sustentar".

A vaquinha tem o objetivo de arrecadar R$ 18 mil. Até o momento, atingiu quase R$ 1,8 mil. Interessados em ajudar o francano podem acessar o site e contribuir com qualquer valor.

Francanos, estudantes de escola pública e com pouco mais de 20 anos. As semelhanças entre os jovens Beatriz Faleiros de Souza e Otávio Augusto Ferreira Queiroz já são muitas. Neste ano, essas relações devem aumentar, com os dois conquistando oportunidades em Paris, na França. Beatriz cursará música, enquanto Otávio fará engenharia civil. Para darem início a mais esse sonho, ambos buscam ajuda através de vaquinhas virtuais.

Apaixonada pela música e envolvida por um espírito valente, a francana Beatriz Faleiros de Sousa, de apenas 21 anos, planeja rumar à França, onde foi admitida em três diferentes instituições de ensino musical. Devido a sua situação financeira, Beatriz não possui os recursos para a estadia no país estrangeiro e pede a colaboração e ajuda com sua vaquinha para conseguir se estabelecer no local por ao menos um mês.

A trajetória de Beatriz foi traçada pela música. Desde pequena nos encalços do pai, adquiriu o gosto por instrumentos. “Primeiramente meu pai tocava violão e então comecei a aprender com ele”, explica a musicista. Dos seis aos 17 anos, Beatriz participou de projetos sociais realizados pela Prefeitura de Franca, e foi nesse meio tempo que descobriu sua paixão pela inseparável parceira, a flauta transversal.

Um dos projetos que participou foi o Guri, onde teve os primeiros contatos com a flauta. “No Projeto Guri eu participava de corais e pedia muito à professora para me deixar tocar os instrumentos, mas como eu era muito pequena, braços curtos e mãos pequenas, ela vivia dizendo que não era a hora”, conta ela. “Então fiquei com a flauta doce, que era pequena e fácil. Um dia uma amiga me apresentou a flauta transversal, e desde então, sou apaixonada e toco todos os dias”.

Em 2017, os professores de Beatriz a incentivaram a prestar um vestibular e fomentar sua carreira, assim sendo, conseguiu uma bolsa de estudos na USP de Ribeirão Preto para cursar música e refinar ainda mais sua arte. Beatriz se forma neste semestre e já participou de várias atividades escolares como o projeto virtual em 2021 "Transnational Telematic Chamber Ensemble" – Our Music, Our Stories, coordenado por uma universidade na Califórnia, Riverside. E durante sua graduação foi bolsista integrante da USP Filarmônica, sob a regência do prof. dr. Rubens Ricciardi.

Em 2022, oportunidades surgiram. Beatriz foi admitida em três instituições francesas, sendo elas Conservatório Regional de Boulogne-Billancourt na classe de Céline Nessi, Conservatório Regional Marcel Dadi com Alain Menard, e no ensino superior (Licence 1) na Universidade de Versailles Saint-Quentin en Yvelines.

Seu plano é manter-se por pelo menos um mês com o dinheiro arrecadado em sua vaquinha. Beatriz diz que pela situação atual do Brasil “a desvalorização da nossa moeda trouxe dificuldades enormes para manter uma moradia estável na França, pelo alto valor do euro”. Apenas na moradia, a musicista estipula um gasto de R$ 40 mil de gastos por mês. “Eu já estive lá por um tempo e não é fácil. Vai ser realmente um desafio”, explicou.

“Estou indo, e preciso dessa ajuda, minha família não tem condições de me manter na França, então preciso dessa ajuda. E claro, assim que chegar lá, vou procurar um emprego, uma forma de me fixar. Dessa maneira consigo estabilidade suficiente para viver o meu sonho”, finaliza Beatriz Faleiros.

Futuro engenheiro
O jovem francano Otávio Ferreira Queiroz, de 22 anos, sempre teve um sonho: estudar engenharia civil na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Em 2019, ele conseguiu. Mal sabia ele que a mudança para Belo Horizonte traria novos rumos. Após dois anos na universidade, Otávio foi aprovado para um intercâmbio em Paris, na EIVP (Ecole des Ingénieurs de la Ville de Paris).

Por toda vida estudante de escola pública, Otávio foi atingindo de pouco em pouco seus objetivos, até chegar a oportunidade que, até o momento, é a maior de sua vida. Primeiro, ao sair do ensino médio, passou em engenharia civil pela Escola de Engenharia Kennedy, em BH. Não satisfeito, buscou o que tanto sonhava e passou na UFMG no mesmo curso. "Estou fazendo um curso que sempre quis, na universidade que sempre quis", contou Otávio.

Após a admissão na faculdade do seus sonhos, Otávio teve uma palestra que acenderia uma nova chama na sua vida. "No primeiro semestre, tive uma palestra de introdução ao curso, onde falaram sobre esse intercâmbio, que era regido pelo programa da Brafitec. Eu queria cursar algo fora do país. Quando escutei sobre na palestra, isso reacendeu dentro de mim e foquei para conquistar", relembrou.

Por dois anos, Otávio ficou com a palestra na cabeça. Quando atingiu o quinto período, descobriu que eram apenas cinco vagas para conseguir a oportunidade do intercâmbio. Ele tentou e conseguiu. "Desde o primeiro semestre na UFMG, me dediquei para conseguir isso, tirando notas boas, participando de projetos de extensão, iniciação científica e monitorias (...) até conseguir conquistar esse sonho e esse objetivo".

Agora, Otávio se prepara para a segunda mudança na sua vida. A primeira, de Franca a Belo Horizonte, foi de pouco mais de 450 quilômetros. Desta vez, a viagem será um pouco mais longa, de 8,6 mil km, do Brasil à França. "Me sinto abençoado pelo esforço de todo o processo. Também estou com medo de tudo o que está por vir, mas isso faz parte da experiência. Tive medo de quando sai de Franca e fui estudar em BH. Agora, é um medo misturado com ansiedade de sair do Brasil e ir para França".

Apesar da ansiedade, Otávio não vê a hora de chegar a hora de entrar no avião e rumar para um novo país. "Estudarei engenharia civil em um país diferente, com língua, cultura e visão distintas da nossa. Isso enriquece a gente enquanto profissional e cidadão do mundo".

O ponta pé para a mudança está marcado para setembro. Para conseguir viajar, Otávio tem contado com a ajuda de amigos e também com uma vaquinha virtual, onde ele busca uma verba inicial para a mudança. "Os gastos são bem altos nos primeiros meses. A vaquinha é para ajudar a pagar a passagem de avião, o visto, aluguel e caução do lugar onde irei morar. Tudo isso engloba o valor que coloquei como meta, para ajudar nos dois primeiros meses. Durante esse tempo, vou procurando um emprego para me sustentar".

A vaquinha tem o objetivo de arrecadar R$ 18 mil. Até o momento, atingiu quase R$ 1,8 mil. Interessados em ajudar o francano podem acessar o site e contribuir com qualquer valor.

2 COMENTÁRIOS

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  • Luiz Gonzaga Ferreira
    06/08/2022
    A reportagem é interessante, mas poderia ser publicado, onde os bolsistas francanos fizeram seus cursos primário e secundário, escolas públicas? O que incentivaria outros alunos a buscarem conhecimentos.
  • Suzana Higino Viana
    07/08/2022
    Meu filho e outro jovem que fazem faculdade e que nunca estudaram em escola particular tb estarão indo pra França este mês. Ambos vão com bolsa pela empresa CAPES. Pro meu filho o requisito era ter notas altas, passar no curso de francês da Aliança Francesa e etc. Um sonho nunca antes imaginado.