COPA DO MUNDO

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Saiba o que há por trás da estampa de oncinha na nova camisa da seleção brasileira

Saiba o que há por trás da estampa de oncinha na nova camisa da seleção brasileira

Nova camiseta da seleção aposta numa estética conhecida como 'animal print', na qual peles de animais como onças, tigres, leopardos, zebras e cobras servem de inspirações.

Nova camiseta da seleção aposta numa estética conhecida como 'animal print', na qual peles de animais como onças, tigres, leopardos, zebras e cobras servem de inspirações.

Por Marina Lourenço | 12/08/2022 | Tempo de leitura: 4 min
da Folhapress

Por Marina Lourenço
da Folhapress

12/08/2022 - Tempo de leitura: 4 min

Divulgação/Nike

A camiseta foi comparada a cenas da novela Pantanal

Assim como Juma, de "Pantanal", a nova camisa da seleção de futebol tem um lado, digamos, selvagem. Com estampa de oncinha, a peça virou assunto nas redes sociais nesta semana, quando foi divulgada pela CBF, a Confederação Brasileira de Esporte, como o uniforme nacional da Copa do Mundo de 2022.

Disponível nos modelos amarelo e azul, a camiseta foi comparada a cenas da novela em que rosetas de onça-pintada ganham destaque e Alanis Guillen faz o papel de uma jovem que se transforma no bicho. Mas não é só pela semelhança com "Pantanal" que a roupa viralizou.

O vestuário futebolístico dificilmente põe foco em estampas com figuras ou detalhes chamativos. Se você quiser descrever um tradicional uniforme de futebol, por exemplo, basta falar sobre as cores e o símbolo do time em questão. Pronto, eis a base de qualquer roupa dessa modalidade esportiva.

Contrariando esse hábito, porém, a nova camiseta da seleção brasileira aposta numa estética conhecida como "animal print", na qual peles de animais como onças, tigres, leopardos, zebras e cobras servem de inspirações para looks, acessórios e objetos de decoração.

A estampa de oncinha, que agora estará em campo nos jogos do Brasil, tem fama de dividir opiniões -há muitos que lhe chamam de cafona, por exemplo- e transmite múltiplas mensagens, a depender do contexto em que aparece.

Foi nos anos de 1930 que ela ganhou espaço na indústria têxtil, com o sucesso de "Tarzan". Depois, na década de 1950, adquiriu uma faceta sexual, com a popularização da figura das pin-ups. E na década de 1970 se tornou símbolo de rebeldia, sendo incorporada pelo movimento punk. Mas a estética em si do animal print é anterior a tudo isso.

"[Detalhes corporais de animais] foram a primeira estampa da humanidade", explica a designer especialista em estamparia Rosana Rodrigues. "No começo, humanos usavam peles de animais [como roupas] para se proteger do frio. Depois, desde a Antiguidade, plumagens de aves e outras peles foram ligadas à ideia de poder e de força."

Segundo a CBF, a roseta da onça-pintada na camiseta nacional é uma homenagem à "coragem e cultura de um povo que nunca desiste". Quando a instituição divulgou a roupa, afirmou que era inspirada "na garra e beleza" do bicho, que é o terceiro maior felino do mundo e pode ser visto em quase todos os biomas brasileiros.

Para Rodrigues, a presença do animal print no uniforme está relacionada a conceitos como agilidade e força, que são marcas da onça -e também habilidades caras à seleção, que agora tentará, de novo, o tão sonhado hexa, depois de uma Copa do Mundo marcada pelo famoso sete a um contra a Alemanha, em 2014, e de outra Copa frustrada, sem grandes emoções, em 2018.

Além disso, Rodrigues ressalta que a nova coleção não passa batido, o que, claro, é ótimo para a Nike, fornecedora do material esportivo da seleção. A marca está vendendo a camisa por quase R$ 350 e o moletom, também com marcas de onça, por quase R$ 500.

Numa lógica à la "fale bem ou fale mal, mas fale de mim" -verso de um dos maiores hits de Melody-, Nike segue os passos de grifes como a Balenciaga, que lançou os polêmicos Paris Sneakers já sabendo do quão chamativos seriam.

A designer arrisca uma hipótese para tentar explicar por que o futebol não investe em uniformes ultraestampados -a de que o preto e branco da TV da época em que as partidas passaram a ser transmitidas limitaria a percepção desses pormenores.

Com a chegada da televisão a cores, ela explica, houve uma mudança na forma como as paletas davam as caras nas coleções de futebol. Mas diante de estereótipos de gênero e da alta visibilidade dada às seleções masculinas, a discrição foi mantida.

"Sabemos que o futebol masculino tem muito mais destaque que o feminino. E por uma questão cultural, o guarda-roupa feminino tem mais possibilidades de variações", afirma Marcia Aguiar, professora de moda na FAAP e especialista em estamparia.

Aguiar diz ainda que a estampa de oncinha está, de certa forma, atrelada a uma imagem erotizada e feminina e, por isso, muitos homens optam por não vesti-la. Com a venda das camisetas, no entanto, a especialista acredita que há uma brecha para questionar essa lógica sexista.

"Simpatizo muito com a nova camisa. Remete à fauna brasileira de uma forma não clichê. E, claro, de garra."

Assim como Juma, de "Pantanal", a nova camisa da seleção de futebol tem um lado, digamos, selvagem. Com estampa de oncinha, a peça virou assunto nas redes sociais nesta semana, quando foi divulgada pela CBF, a Confederação Brasileira de Esporte, como o uniforme nacional da Copa do Mundo de 2022.

Disponível nos modelos amarelo e azul, a camiseta foi comparada a cenas da novela em que rosetas de onça-pintada ganham destaque e Alanis Guillen faz o papel de uma jovem que se transforma no bicho. Mas não é só pela semelhança com "Pantanal" que a roupa viralizou.

O vestuário futebolístico dificilmente põe foco em estampas com figuras ou detalhes chamativos. Se você quiser descrever um tradicional uniforme de futebol, por exemplo, basta falar sobre as cores e o símbolo do time em questão. Pronto, eis a base de qualquer roupa dessa modalidade esportiva.

Contrariando esse hábito, porém, a nova camiseta da seleção brasileira aposta numa estética conhecida como "animal print", na qual peles de animais como onças, tigres, leopardos, zebras e cobras servem de inspirações para looks, acessórios e objetos de decoração.

A estampa de oncinha, que agora estará em campo nos jogos do Brasil, tem fama de dividir opiniões -há muitos que lhe chamam de cafona, por exemplo- e transmite múltiplas mensagens, a depender do contexto em que aparece.

Foi nos anos de 1930 que ela ganhou espaço na indústria têxtil, com o sucesso de "Tarzan". Depois, na década de 1950, adquiriu uma faceta sexual, com a popularização da figura das pin-ups. E na década de 1970 se tornou símbolo de rebeldia, sendo incorporada pelo movimento punk. Mas a estética em si do animal print é anterior a tudo isso.

"[Detalhes corporais de animais] foram a primeira estampa da humanidade", explica a designer especialista em estamparia Rosana Rodrigues. "No começo, humanos usavam peles de animais [como roupas] para se proteger do frio. Depois, desde a Antiguidade, plumagens de aves e outras peles foram ligadas à ideia de poder e de força."

Segundo a CBF, a roseta da onça-pintada na camiseta nacional é uma homenagem à "coragem e cultura de um povo que nunca desiste". Quando a instituição divulgou a roupa, afirmou que era inspirada "na garra e beleza" do bicho, que é o terceiro maior felino do mundo e pode ser visto em quase todos os biomas brasileiros.

Para Rodrigues, a presença do animal print no uniforme está relacionada a conceitos como agilidade e força, que são marcas da onça -e também habilidades caras à seleção, que agora tentará, de novo, o tão sonhado hexa, depois de uma Copa do Mundo marcada pelo famoso sete a um contra a Alemanha, em 2014, e de outra Copa frustrada, sem grandes emoções, em 2018.

Além disso, Rodrigues ressalta que a nova coleção não passa batido, o que, claro, é ótimo para a Nike, fornecedora do material esportivo da seleção. A marca está vendendo a camisa por quase R$ 350 e o moletom, também com marcas de onça, por quase R$ 500.

Numa lógica à la "fale bem ou fale mal, mas fale de mim" -verso de um dos maiores hits de Melody-, Nike segue os passos de grifes como a Balenciaga, que lançou os polêmicos Paris Sneakers já sabendo do quão chamativos seriam.

A designer arrisca uma hipótese para tentar explicar por que o futebol não investe em uniformes ultraestampados -a de que o preto e branco da TV da época em que as partidas passaram a ser transmitidas limitaria a percepção desses pormenores.

Com a chegada da televisão a cores, ela explica, houve uma mudança na forma como as paletas davam as caras nas coleções de futebol. Mas diante de estereótipos de gênero e da alta visibilidade dada às seleções masculinas, a discrição foi mantida.

"Sabemos que o futebol masculino tem muito mais destaque que o feminino. E por uma questão cultural, o guarda-roupa feminino tem mais possibilidades de variações", afirma Marcia Aguiar, professora de moda na FAAP e especialista em estamparia.

Aguiar diz ainda que a estampa de oncinha está, de certa forma, atrelada a uma imagem erotizada e feminina e, por isso, muitos homens optam por não vesti-la. Com a venda das camisetas, no entanto, a especialista acredita que há uma brecha para questionar essa lógica sexista.

"Simpatizo muito com a nova camisa. Remete à fauna brasileira de uma forma não clichê. E, claro, de garra."

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